Capítulo 4 – As Maquinações de uma Raposa (Parte 3)


Duque Grael estava em seus aposentos, como sempre. Irritado também, bem mais que o de costume. Não gostava nem um pouco do que ouviu de um de seus informantes: a garota-lobo tinha saído de Fafalar na manhã passada.

Era o pior que poderia ter acontecido! Era tão simples! Tão fácil! Como podiam seus mais competentes subordinados falhar assim? Deixaram a loba escapar!

Teria de falar com os dois. Já até sabia a resposta de Ufiel, afinal a loba fugiu logo cedo. Mas Loriel? Não tinha como a maldita raposa branca sequer ter visto eles partindo! As veias de sua testa saltavam só em imaginar no que diabos a elfa diria.

E agora estavam fora de seu alcance. Não teria como eles terem saído tão rápido da floresta sem saber de alguma coisa!

Ouve uma batina em sua porta.

— Entre.

De lá surge o elfo de pelos negros, servo mais devoto do duque: Ufiel.

— Pois não, senhor. Deseja-me para alguma coisa?

— Sim. — responde impaciente — Como a loba conseguiu escapar tão facilmente?

— Eu sinto muito, senhor. — fala, quase sussurrando. Parecia desconfortável. Ou nervoso. Grael estranha um pouco o comportamento, mas ignora. — Meus planos… Não sei o que houve… Eu havia planejado tudo para ontem a noite. Ninguém sequer iria pensar que foi… assassinato. A loba e seus companheiros não se encontravam mais aqui ontem a noite. Talvez alguém os alertou e saíram logo cedo, quando pouco posso fazer…

O duque encara seu serviçal. Não tinha a menor suspeita dele. Nunca tivera. Talvez estivesse apenas desgostoso de ter falhado na missão. Era fato que seria muito ruim para si mesmo, só que não poderia simplesmente castigá-lo por isso. Afinal tinha um álibi simples, plausível. Era bem verdade que Ufiel pouco podia fazer enquanto houvesse sol no céu.

— Ufiel. Teria algo mais a acrescentar?

— Não senhor. Apenas peço desculpas por meu descuido! Era meu dever ter percebido as intenções deles de saírem ontem cedo.

— Não precisa se desculpar. — fala Grael, com uma calma atípica — Vigiá-los era dever de outra pessoa. Pode se retirar e voltar aos seus afazeres.

O elfo negro se despede de seu senhor e desaparece porta afora.

“Agora vejamos o que Loriel tem a dizer! Se a maldita não tiver uma boa desculpa eu mesmo vou quebrar o pescoço dela! Depois eu resolvo o resto. Ou não… A maldita é boa. Posso precisar dela… ”

Com pouco tempo, a elfa esquia de pelugem branca entra, sem qualquer cerimônia, nos aposentos do duque, que a encara irritado. Loriel apenas sorri, limpando as mãos no avental que vestia.

— Me chamou, senhor? — pergunta, em tom despreocupado.

— Sim, chamei! Quero explicações! — grita Grael, rangendo os dentes, se segurando para não levantar e matar a elfa antes mesmo dela ter a chance de falar qualquer coisa.

Loriel olha para o duque com aparente confusão: — Explicações sobre? — sua voz soa assustada.

“Definitivamente vou matá-la hoje!”

— A loba! Como pelos deuses você deixou ela fugir?!

— Ah… A garota-lobo… — “Sim, a garota!” — Bem… Ontem foi um dia bem atarefado na estalagem. E.. eu não lembro de ter recebido ordens diretas para vigiá-la.

“Quê?! Não acredito que essa maldita raposa vem até mim com uma desculpa dessas! Ela é burra ou o que?”

— Sinto muito, senhor. Eu achava que só Lionel era problema. A garota nem sabia bem que era um lobo… Ela não sabe de nada. — e abaixa a cabeça, demonstrando submissão.

Grael estava impaciente. Não queria imaginar que alguém como Loriel deixaria um lobo passar por um motivo tão… ridículo! No entanto… Ele realmente não a tinha informado sobre o plano com Ufiel… E claro que ele não falou nada. Sente-se frustrado com como tudo dera errado por causa de algo tão estúpido.

— Loriel — fala desanimado — Não saberia me dizer quando ela saiu? Ou por quê?

— Sinto muito, senhor. Estava muito ocupada mesmo. Só descobri sua partida quando fui deixar a refeição diária no fim da noite. Encontrei apenas o quarto vazio…

— Tsk… Pode ir então… Se qualquer lobo aparecer, eu quero que vigie, não importa quem seja! E não os deixe sair da cidade sem minha autorização!

Loriel então sai, da mesma forma despretensiosa que entrou. Escondia do duque um sorriso maroto…

Grael não sabia o que fazer. Nenhum dos dois tinha feito algo errado… Pelo menos era o que achava. Um maldito descuido e falta de comunicação… Nem Loriel estava exatamente errada. Ainda iria matá-la. Não hoje…

Agora… O problema era todo dele… Nem queria pensar no que poderá acontecer! Quando Kiro descobrir… Vai ser um desastre. Pelos deuses!!!

“Terei de ir eu mesmo fazer o trabalho. Eles já estão longe demais para lidar pelos métodos tradicionais. Tsk… Terei que sair de Fafalar sem que ninguém perceba.”

O duque se levanta e sai. Tinha muito o que planejar…

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