As Maquinações de uma Raposa (Parte 4 – Final)


Em silêncio, Seire caminha num passo rápido, forçando os outros a acompanhá-la. Não queria parar antes de estar bem longe daquela floresta. Nem sabia para onde estava indo, apenas caminhava para o sul.

Os outros sequer se deram ao trabalho de perguntar o que houve. O rosto da garota-lobo mostrava preocupação e medo!

O grupo marcha nesta maneira por quase um dia inteiro. O sol nascia no horizonte quando Seire decide que estão todos seguros o bastante.

Todos despencam no chão, exauridos. Ninguém sabia onde estavam, só sabia que estavam bem longe de Fafalar.

— Agora seria um bom momento para nos explicar o ocorrido, senhorita. — fala Raffléia.

— Também tenho interesse nisso. — comenta Arth — O que aquele elfo queria de você?

Raffléia e Hafix se entreolham sem entender.

— Acho que agora posso falar. — começa Seire — Arth já sabe de parte da história, mas melhor explicar do inicio.

— Enquanto Arth me mostrava a cidade, um estranho elfo de pelos negros me abordou. Me pediu para segui-lo. E chegamos até uma espécie de restaurante. Foi quando me separei de Arth, não o deixaram entrar.

— Aí… O elfo me diz que o tal duque Grael o tinha mandado me matar e que eu tinha que fugir o mais rápido possível. Eu achei estranho, mas o tom de voz dele era… sinistro…

Os outros ficam tão chocados quanto Seire ao ouvir aquilo pela primeira vez. Arth e Raffléia sabia que o duque tinha problemas com homens-lobo, mas a ponto de matar?!

— Eu não sei se foi certo eu acreditar nele… Só que… não sei. Ele disse que o mandaram me matar! Também disse que não iria fazê-lo… Senti algo sombrio… — fala Seire, nervosa.

— Não fique assim. — fala Hafix — Qualquer um ficaria assustado se dissessem que vão te matar. Eu não sei nada sobre elfos, mas eles parecem ser bem selvagens quando querem. Eu acho…

— Bem… — interrompe Raffléia — Estou perplexa. Mas até que faz sentido… Não queria que fosse verdade. Lionel, o homem-lobo que falamos noutro dia, está investigando… um… massacre de homens-lobo que aconteceu uns quinze anos atrás. As pistas sempre terminam em Fafalar. — A sáuria leva a mão a boca, chocada, sem querer concluir o raciocínio.

— Se essa é a situação… então realmente foi uma decisão acertada a de sairmos — conclui Arth.

Assim, um silêncio sinistro paira entre o grupo. Assassinato? Premeditado… Aquilo era muito sério. Raffléia pensa bastante antes de falar mais alguma coisa. Seire sente calafrios.

Ali não era seguro. Tinham que sair!

— Eu acho que ainda não estamos a salvo… — murmura a garota-lobo.

— Concordo. — responde a sáuria — Grael é um elfo antigo. Talvez seja demais para nós. Necessitamos de ajuda…

— Dama Raffléia, vamos voltar? — indaga Arth.

— Sim… Infelizmente. Não precisa retornar conosco, caro Arth. Sei que me acompanhas apenas por seguirmos a mesma estrada.

Os outros dois ficam um pouco confusos. Para onde `voltariam’? Por que a sáuria achava que o centauro não os acompanharia? Arth suspira.

— Não… Irei acompanhá-la. O atraso de alguns meses não seria lá grande problema. E quem sabe algo tenha passado desapercebido por mim?

— Que assim seja. — fala Raffléia, com uma vênia para Arth — Iremos atravessar o mar! Voltaremos para minha cidade natal, em outras terras…

Seire tem um lapso de alegria. Iria ver o oceano! Nunca tinha visto na vida, apenas leu a respeito em livros. Achava estranha a descrição: uma infinidade de água; e ainda por cima salgada!

Hafix já esteve numa cidade portuária. Era cheia de gente estranha e fedia. Não queria voltar para um lugar assim.

Seire novamente sente um frio medonho na espinha.

— Vamos sair daqui!

Todos acenam com a cabeça, concordando. No entanto eles não sentiam o mesmo que a garota-lobo sentia. Estavam bem longe da cidade dos elfos. Era absurdo pensar que Grael mandaria alguém tão longe. Não era do feitio dos elfos…

De fato ele não mandaria ninguém para fora de Fafalar: levantaria muitas suspeitas…

Sem se aperceberem de nada, o grupo segue a passo ligeiro para o sul e para o leste. Para qualquer cidade que os levassem ao outro lado do oceano.

Sorrateira, uma estranha raposa os seguia. Não era animal de verdade, mas feita de plantas. Não tinha cheiro. Era praticamente invisível no meio da floresta. Emanava maldade.

E Seire sentia calafrios e dor de cabeça.

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