Capítulo 4 – As Maquinações de uma Raposa (Parte 2)


Sem pensar duas vezes, nem esperar Arth, Seire entra pela grande porta por onde o suspeito elfo havia passado instantes atrás.

E assim a garota-lobo se vê cercada pela penumbra: parecia ser alguma espécie de restaurante. Olha ao redor, a procura do elfo encapuzado, não percebendo que havia outro elfo a sua frente.

— Senhorita. Bem vinda. — fala o elfo, tentando chamar a atenção de Seire. Este não tinha pelos como os outros elfos que tinha visto, embora tivesse o mesmo rosto triangular e orelhas pontudas. Sua pele era negra e… ligeiramente pétrea? — Senhorita? Temos uma mesa reservada para a senhorita. Poderia por favor me acompanhar?

O elfo conclui sua fala com uma vênia e lentamente adentra o recinto. Seire, ainda mais confusa, o acompanha. Sabia que aquilo tudo parecia muito, muito suspeito, mas tinha que saber o que queriam com ela.

E assim ela vai, esquecendo-se de Arth. O elfo negro a levava até uma área mais reservada. Lembra-se do pobre centauro. Ao olhar para trás ela o vê, barrado na entrada. Alguém a puxa e ela perde Arth de vista.

Estava numa espécie de cabine. Era espaçosa e ricamente decorada. No centro havia uma mesa trabalhada. Sentado, o elfo encapuzado.

— Por favor, sente-se. — fala o elfo, apontando para a cadeira a sua frente.

Ela não queria estar ali sozinha. Só tinha ido porque Arth a acompanhava. Agora? Ele estava preso lá fora e duvidava muito que o deixassem entrar. Mas algo bem no seu âmago dizia que ela tinha que ouvir aquele elfo, não importasse o risco.

Saberia ele alguma coisa sobre ela? Algo que Raffléia não tivesse conhecimento? Achava pouco provável. Ou era o que seu racional dizia.

Num ímpeto ela se senta. O elfo permanece impassível. O poucos segundos que ele levou para tirar o capuz e revelar seu rosto pareceram horas para Seire.

O rosto a sua frente era ainda mais indecifrável que o capuz. Coberto com pelugem negra como uma noite sem lua; olhos púrpura e cabelo espetado, selvagem; passava uma aura incongruente, ao mesmo tempo assustadora e calmante.

— Não tempos muito tempo para falar. — começa finalmente, quebrando a tensão — Por isso serei breve. Devo sair daqui imediatamente. Duque Grael me ordenou matá-la.

“Quê?!” Seire nada fala. “Matá-la?!” O elfo tinha falado aquilo como quem conversava amenidades. A tensão aumenta. A garota-lobo sente que pode se transformar a qualquer momento.

— Não se preocupe. Não vou fazê-lo. E estou me arriscando muito aqui. A alguns anos eu o obedeceria sem questionar. E o fiz… Hoje não mais. Mas não interessa! Apenas saia! O mais rápido possível. Agora.

E se levanta, sem dar a Seire a chance de reagir. Põe seu capuz e desaparece. Seire leva alguns segundos para digerir o que havia ouvido. O estranho elfo falou calmamente, mas seu tom de voz passava uma urgência preocupante.

“Temos que ir” Seire levanta e parte o mais rápido possível até a entrada, onde Arth fazia uma confusão. Ela simplesmente o puxa para fora e aperta o passo em direção a taverna onde estão instalados.

Na hora ela ainda se surpreende de ter força o suficiente para puxar um centauro confuso, mas não tinha tempo para pensar em coisas supérfluas.

— O que houve? Que foi que o elfo te disse? — Seire não responde.

No caminho, a garota-lobo encarava e olhava para tudo, paranoica. Qualquer um ali poderia muito bem ter recebido ordens para matá-la também. Talvez até mesmo o elfo encapuzado mudasse de ideia…

Seire chega como um furacão, interrompendo uma discussão calorosa entre Raffléia e Hafix.

— Temos que ir! Agora! — fala, rapidamente juntando as próprias coisas, enquanto os outros a encaram, aguardando uma explicação.

Raffléia olha para Arth a procura de respostas. Ele apenas dá de ombros: estava tão confuso quanto os demais.

Seire já estava em frente a porta, com seus poucos pertences em mãos, quando percebe que ninguém tinha mexido um músculo:

— Vamos! Temos que sair daqui o mais rápido possível! — fala, impaciente.

A sáuria não pergunta mais nada. Sente que algo sério estava acontecendo. Depois a garota explicaria melhor. Arruma rapidamente suas coisas e se junta a Seire.

Arth e Hafix ainda ficam um pouco indecisos, mas agora já eram as duas que queriam ir embora. Talvez houvesse uma explicação.

O grupo então parte de Fafalar sem encontrar empecilhos. Três tristes e confusos. Uma amedrontada e nervosa.

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2 comentários sobre “Capítulo 4 – As Maquinações de uma Raposa (Parte 2)

  1. Você escreve muito bem e a imaginação flui ainda melhor. Espero um dia poder ver tudo isto publicado num livro de capa dura, ler tudo com carinho e integrá-la em minha estante. Bjs!

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