Prólogo – A Torre de Marfim e a Torre de Ébano (Parte 1)


No início… Havia somente Luz e Trevas.

Lumini, a Luminosa. A que tudo revela. A que tudo ofusca. A que traz a vida. O início.

Treva, a Negra. A que tudo oculta. A que tudo esclarece. A que traz a morte. O fim.

Juntas, tudo criaram. O céu e a terra. O sol e a lua. O ciclo eterno de vida e morte.

Divindades do mundo antigo. Nunca esquecidas pela história. Veneradas por todos. Diferentes nomes, mas sempre duas, sempre uma branca e uma negra.

Duas torres foram construídas para sua adoração. Perfeitas. Feitas pelos mais primorosos construtores. Abençoadas pelos mais altos sacerdotes.

Indestrutíveis. Incorruptíveis. Permanecendo em pé até o fim dos tempos.

A primeira, a Torre de Marfim. Imponente, no centro de uma floresta de árvores negras, sombrias.

A segunda, a Torre de Ébano. Altiva, no centro de uma floresta de árvores brancas, reconfortantes.

As duas em pontos opostos do globo. Ambas possuindo o único caminho para o paraíso.

Pelo menos é o que se conta. Ninguém pode dar certezas.

Afinal, estas histórias vem de eons atrás. Não dá para se separar o que é verdade e o que é mito. Fatos dos exageros.

O que se sabe é que as torres existem. E realmente há algo sobrenatural e divino nelas.

É uma pena que as tribos instaladas nas florestas, que acreditam ter o dever sagrado de proteger o lugar, não deixem explorar seus segredos.


Diário de exploração de Altair Goldstein.

Segunda-feira, 15 de março de 3507, calendário de Narsil.

Após anos de exploração, decidi voltar às origens. Só que desta vez por outro caminho: misteriosas torres que abrem o caminho para casa; para aqueles que não tem meios de alçar aos céus.

As lendas dizem que foram construídas por Lux e Trevor, deuses dragões de Luz e Escuridão. Uma na Floresta Negra. Outra na Floresta Branca. Uma branca como marfim. A outra negra como ébano.

Com suas paredes lisas, perfeitas, subindo até os céus. Ninguém sabe de que são feitas. Eu não sei. Nem Diamante. Muito menos as tribos dos homens-lobo que vivem para guardá-las desde tempos imemoriais.

Estas tribos têm crenças um pouco diferentes sobre as torres. Para eles são torres construídas em homenagem aos Grandes Lobos do Dia e da Noite, sempre se perseguindo, numa eterna caçada. Eclipses representando batalhas sangrentas.

Que segredos escondem? Vai saber… Só espero descobrir pelo menos um deles. O que posso garantir é que vou analisar cada ranhura, decifrar cada escrita, admirar casa escultura. E ver com meus próprios olhos o que há de verdade no topo delas.

Seria curioso se for realmente uma porta para casa… Para visitantes que não podem chegar lá por meios… “normais”.


Diário de bordo do Dirigível Tjenberg 4.2

10 de janeiro de 2986

De repente o Reino virou de porta cabeça e eu tenho tanta coisa a fazer que sequer sei por onde começar… No caso… Eu até sei…

Uns meses atrás, antes deste caos todo, conheci o mais inusitado e improvável amigo: Parn Helten.

Nossas famílias dividem fronteiras e… bem… Nunca fomos amigáveis uns com os outros.

Só que eu não sou qualquer Tjenberg. E Parn tinha menos parafusos na cabeça do que era normal para um Helten. Nos demos muito bem assim que nos conhecemos.

O maldito queria caçar dragões, acredita?! E não pelos motivos usuais. Ele queria ouvir as histórias que tais feras teriam para contar. E com os séculos de vida que eles têm… Era muita coisa. Muita coisa…

E claro. Ele escrevia tudo em seu diário… O mesmo que ele me pediu para deixar uma cópia em Valphala quando nos despedimos.

Às vezes eu acho que ele já sabia o que ia acontecer… Afinal… Por que outro motivo ele iria se dar ao trabalho de fazer uma cópia de seus escritos e deixar numa das cidades mais bem defendidas do Reino? Seu diário pessoal ainda por cima!

Bem, eu chamaria de livro, não diário. Uma criatura e tanto o rapaz. O maldito conhece mais do território dos Tjenberg do que eu!

Até na maldita torre da Floresta Negra ele esteve! A que ninguém tem coragem de chegar perto! Um dedo macabro, branco como gelo despontando bem no meio do lugar.

Eu me pergunto se tudo o que ele escreveu é mesmo verdade…

Bem… A gente conversou, eu repito, con-ver-sou, com um enorme dragão vermelho! Sim… Vermelho… Daqueles que chegam queimando cidades… Não daqueles que conversam…

Ah! Maldito! Por que esta maldita guerra teve de começar?!! A gente tinha tanto o que conversar…

Melhor eu deixar logo este diário em Valphala. Alexsander com certeza vai adorar a leitura.

E também preciso voltar a Tjenberg… Antes que a guerra chegue até lá.

Nós somos os próximos.

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