Prólogo – A Lâmina de Ferro (Parte 2)


Enquanto descia a colina, o herói de nome desconhecido se perguntava: “Onde está o dragão?”

Onde deveria ser seu covil havia somente uma jovem acorrentada. E… em nenhum momento ela falou num dragão…

Será que eram só histórias?

Duvidava. Ele mesmo já viu a terrível criatura. Uma vila próxima completamente destruída… No entanto… Não por fogo e enxofre, mas sim longas e pontiagudas farpas metálicas.

Não deixava de ser a visão do inferno…

De fato o dragão existia. Mas a colina não era seu covil!

O herói suspirou, resignado.

Não sabia onde encontrar a fera que caçava e prometeu libertar a jovem que encontrou em seu lugar…

Por fim ele decidiu por ir até a vila de Hamut, onde ficava o casarão dos Olkmann. Precisava investigar.

Uma das poucas famílias não nobres de poder no Reino, galgaram seu caminho à força, dominando uma pequena área entre os territórios de três famílias nobres de renome: Helten, Tjenberg e Armini.

Chegando na vila, ele sente nojo e raiva. A pobreza de quem vivia à borda da muralha de Hamut contrastava com o luxo de um casarão que mais parecia um castelo e das mansões ao redor.

Nosso herói se encolheu, impotente. “De que adianta matar o dragão se existem pessoas assim no mundo? Tão monstros quanto a fera…”, pensou por um momento.

“Não… Devo fazer o que está a meu alcance, mesmo que seja pouco… Um dia virá outro. Capaz de parar aquela injustiça”.

Entrando na vila, o herói se dirigiu a uma taverna. Era o lugar mais fácil e adequado de se conseguir informações. Sempre.

Ele ficou lá um tempo, apenas bebericando e ouvindo conversas. No entanto não havia muito para se ouvir. Só o que via era desesperança.

Gente se afogando na bebida. Gente olhando assustada pros cantos. Gente fofocando amenidades entre risinhos nervosos. Nenhuma reclamação. Ninguém tinha coragem para tal. Mas o desgosto estava lá, estampado nos rostos cansados. E o medo.

— Você não é daqui, não é verdade? — perguntou o taberneiro, um senhor magro, bronzeado, de cabelo longo trançado é um bigode bem feito. Parecia uma figura simpática, mas um calafrio percorreu a espinha de nosso herói.

— Não… — respondeu, receoso.

— Curioso. — respondeu o atendente com um sorriso — Ninguém costuma visitar este fim de mundo por qualquer motivo que seja. O que o trás a estas bandas?

Isto ele não podia responder, pelo que ele pode ver. Seria uma viagem só de ida para a morte. Teve de pensar em alguma coisa que mantivesse o senhor à sua frente falando.

— Vai rir de mim, mas… estou caçando um dragão.

— Oh… interessante. — exclamou o taberneiro, seu sorriso simpático se transformando em sarcástico — O famoso dragão que está perambulando por aí, destruindo vilas e roubando gado?

— Sim… — respondeu o herói, não gostando do tom de voz.

— Hmm… Eu sei de algo interessante. — murmurou — Não acha curioso o dragão nunca ter atacado Hamut?

O herói pensa em falar alguma coisa, mas desiste. Parando para pensar, as vilas atacadas tinham algo em comum: eram inimigas de Olkmann. Rebeldes que seguiam as famílias nobres.

— Eu volto amanhã. — ele balbuciou, saindo do lugar. O taberneiro estava falando de coisas perigosas.

Melhor sair dali o mais rápido possível. Pelo que pode entender, os Olkmann estavam relacionados de alguma forma com o dragão. Controlando-o? Isto era possível?

Se fosse… Era tudo pior do que ele imaginava…

Se eles tinham em seu poder um dragão, poderiam muito bem ter outros… O pensamento fez nosso herói estremecer.

Ele suspirou enquanto saia da vila. Preferia acampar na floresta que ficar lá dentro.

Ele improvisou um refúgio um pouco longe da estrada. Precisava decidir se voltaria para Hamut para descobrir alguma coisa sobre a jovem acorrentada ou se voltava para a caça do dragão.

Deitando, ele tem um sonho inquieto. Um enorme dragão de escamas escuras o encarando. Correntes no pescoço e nas patas. Uma espada sombria em uma das mãos.

Uma hora ele se vê decepando a cabeça da criatura. Outra, ele quebra as correntes e deixa o dragão voar livre.

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