Capítulo 8 – Lamus


Depois de uma exaustiva caminhada noite adentro, Meltse e Lamark finalmente chegam em seu primeiro destino: Lamus.

É bem grande para uma cidade de fronteira. Abarrotada de prédios e de pessoas de todos os lugares, parece mais exótica que Flussevir aos olhos do ferreiro.

O sáurio não chama qualquer atenção ali…

Do lado da cidade eles podem ver uma enorme caravana acampada. E não é que o maldito velho tinha razão?! Uma caravana daquelas deve peregrinar por todo o Reino. E além!

Havia muitas tendas e lojas improvisadas espalhadas, espremidas, pelas ruas. Lamark fica maravilhado, imaginando as coisas que poderia comprar ali.

Mas naquele momento coisas mais importantes tinham de ser resolvidas. Como, por exemplo, descobrir quando a caravana partirá´e como eles se infiltrarão nela.

— Enfim chegamos. — desabafa Meltse, já sonhando com uma cama quentinha e macia. Não tinha a menor intenção de dormir mais um dia sequer no chão!

— Um pouco tarde, mas nem tanto. — comenta Lamark — Agora vamos que ainda temos muito a fazer!

O ferreiro fecha a cara, com desgosto. Quanto mais o maldito sáurio queria que ele andasse?!

Murmurando, o humano segue seu companheiro de viagem, que vai cortando caminho entre a multidão sabe-se lá para onde.

Meltse queria comer, queria deitar, queria dormir. Queria…

Ele para, a pensar. Será que o resto da vida dele seria daquele jeito, sem teto, sem descanso? A verdade é que foi ele mesmo quem escolheu todos estes problemas para si, mas… Não teria sido melhor ter ido diretamente a Gaheris e morrer uma morte honrada?

“Não, não é.”

Muitos morreram para eles dois estarem ali. Não podia jogar a sua vida fora. Não de maneira tão estúpida. Se era para se vingar, que fosse bem feito. Meltse ri, baixinho.

Era incrível como o cansaço fazia esquecer do mais importante. Ele aperta os punhos, as unhas fincando na palma das mãos, a dor servindo de lembrança para seu propósito ali.

Com vontade renovada, segue acompanhando Lamark, quem já sabe muito bem como é a vida de viajar com um propósito, uma missão. E também sabe o que está fazendo.

Com alguma dificuldade, os dois chegam a uma enorme taverna. Ainda mais lotada que as ruas, é o lugar perfeito para se conseguir informações.

O sáurio segue reto, ignorando tudo e todos, para brigar por um pequeno espaço no grande balcão que fica do outro lado da entrada da taverna.

— Bom dia! — grita Lamark para o atendente, um senhor baixo e entroncado, de seus quarenta anos, que trabalha no balcão.

— Pois não, senhor. O que deseja? — pergunta, com uma sobrancelha arqueada, estranhando as roupas do sáurio.

— Por favor, duas canecas de cerveja! E uma informação. — responde enquanto coloca uma moeda de prata em cima da mesa.

Aquilo era muito mais do que o valor de duas cervejas. Os olhos do atendente se iluminam, sem acreditar no que vê.

— Oh! — o senhor pega rapidamente a moeda e a guarda num dos bolsos de seu avental manchado — Trarei a melhor cerveja da casa!

Com presteza, o atendente pega duas canecas bem grandes e as enche com um líquido escuro e aromático. Ele não mentiu quando disse que seria a melhor cerveja.

Meltse, morto de sede, entorna a caneca de uma vez. O sabor era ainda melhor que o aroma! Queria até pedir outra, mas era certeza de Lamark iria lhe dar uns belos puxões de orelha.

Já o sáurio só beberica um pouco a cerveja. Seu interesse não era o líquido na caneca, embora estivesse com sede.

— Então, está gostando da bebida? — pergunta o senhor do balcão.

— Oh, claro! — responde Lamark — É ótima! — Meltse apenas concorda com um aceno: não consegue entender muito o que era falado por conta da balbúrdia do lugar.

E então? — indaga o atendente, apreensivo, querendo agradar àquele viajante rico e generoso.

— Oh sim… — começa o sáurio, fingindo ter esquecido do acordo — O que você pode me dizer sobre a caravana que esta acampada na cidade? — pergunta por fim, colocando sua caneca meio vazia em cima do balcão com um baque surdo.

O atendente começa a suar frio. Sente-se intimidado pela obscura pessoa de chapéu e manto a sua frente. E se for um bandido, pensa. Mas ele logo espanta aquele pensamento, sua ganância falando mais alto. Espera não ter se metido em uma enrascada.

Meltse percebe a reação do balconista e desconfia que era justamente o que Lamark queria. Agora imagine se ele estivesse mostrando sua cara reptiliana e seus sorriso cheio de dentes pontiagudos?!

Seria hilário!

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