Capítulo 8 – O Metal Raro


Meltse e Lamark caminham noite inteira, seguindo pela floresta às margens da estrada, com ouvidos atentos, sempre olhando para trás. Ninguém veio à procura deles.

Os pés do ferreiro latejavam e ele sente que a qualquer momento poderia desmaiar de cansaço, mas seu corpo estava cheio de adrenalina, que o puxa para além dos limites.

Sua mochila estava mais pesada e a vista desfocada nos cantos dos olhos. O sáurio, atento, percebe e diminui a velocidade de marcha, até finalmente pararem. Era muito pior parar de uma vez.

Meltse despenca no chão, deitando e respirando esbaforido. Achava que passar o dia trabalhando na forja era cansativo, mas aquela caminhada longa e forçada conseguia ser ainda mais.

— Beba um pouco de água, devagar — fala o líder Grischarr, enquanto entrega um cantil para o amigo — Não quero vê-lo passando mal.

O ferreiro se senta e bebe um gole: não iria discutir com o sáurio sobre beber devagar, afinal ele tinha mais experiência naquilo tudo.

“Nem parece cansado, o maldito!” Bebe outro gole de água e desaba novamente para trás, ainda com o cantil na mão.

— Você não se cansa? — pergunta Meltse.

— Sim… — responde Lamark — mas não com tão pouco tempo de caminhada.

O sáurio se dá a liberdade de tirar o chapéu e afrouxar um pouco a gola do manto. Pode não estar cansado, mas suava bastante e se sente incomodado.

— Agora me diga, Meltse: — indaga seu amigo escamoso, sentando-se ao lado — o que exatamente era aquilo no baú pra você ficar daquele jeito?

O ferreiro ignora a pergunta por uns instantes. Deitado por cima das folhas secas, de braços abertos, observa o céu estrelado e sem nuvens. Estava exausto.

— Você não vai acreditar. — responde, por fim, ainda esbaforido.

— Não?

— Não mesmo. Era Ukithril. — e fecha os olhos, aproveitando o momento de descanso.

Os olhos de Lamark se arregalam. Teria ele ouvido certo? Ukithril?! Não era possível! Os dois malditos comerciantes podiam até ser ricos, mas não tanto!

Um lingote daquele tamanho de Ukithril deveria valer o suficiente para comprar uma cidade!

— Tem razão. Eu não acredito em você! — comenta o sáurio, caindo na gargalhada.

Os dois ficam ali, ocultos entre as árvores, descansando. Ninguém do vilarejo veio para aquele lado da estrada. Capaz de estarem procurando os arruaceiros dentro da vila.

De tão feliz, Lamark começa a cantar baixinho em seu próprio idioma. Era uma canção de ninar, e também uma magia de revigoração. Não era muito bom nelas, mas espera que ajude Meltse nem que seja um pouco.

— Meltse, precisamos ir. — murmura o sáurio depois de um tempo.

— Tem certeza? — indaga o humano, sonolento.

— Sim. — responde, enquanto se levanta e começa a ajeitar as coisas para partir.

Amuado, o ferreiro se levanta, colocando sua mochila nas costas. Queria ficar ali a noite toda…

Pelo menos agora Lamark não parece apressado. Será que estavam seguros de qualquer perseguição?

— Então… — começa o sáurio — É realmente Ukithril? — indaga, curioso.

— Sim. — responde o humano, rindo — Pelo menos era igual ao que meu pai descrevia. Ele me mostrou num livro que ele tem: uma compilação de diversos metais, com descrição, onde se usar e como forjar. Me lembro como eu adorava esse livro quando criança.

— Oh! Então você sabe forjá-lo também?!

— Espero que sim. Nunca vi Ukithril assim, de perto. Mas eu lembro bem o que tinha no livro. Deve ser o suficiente.

Lamark arqueia a sobrancelha, desconfiado. Aquilo não passava muita segurança.

E assim segue o sáurio guiando o caminho por dentro da floresta. Não queria arriscar a estrada ainda, embora tivesse certeza de que ninguém viria atrás deles ali.

Estavam com muita sorte. O céu limpo, cheio de estrelas e uma enorme lua. Uma noite clara e agradável. Lamark também queria ter passado ela deitado na relva, mas… tinham uma missão a cumprir. E ela dependia deles chegarem no dia seguinte em Lamus.

Era a hora de pensar no que fariam para convencer a caravana a levá-los.

“Bem, os problemas de amanhã são para o eu de amanhã”.

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