Capítulo 8 – Surpresa


Lamark encara o baú alegre e curioso. Era pequeno demais para guardar dinheiro. O que tinha ali dentro? Devia ser algo muito valioso para estar escondido e trancado daquele jeito.

Ele encara novamente o pequeno objeto de madeira, agora frustrado. Como iria abri-lo mesmo?

— Então? Você tem algum truque de abrir cadeados também? — pergunta Meltse, querendo ver mais um dos truques do companheiro mago.

— Ter até tenho,… — suspira o sáurio, um pouco incomodado em ouvir seus anos de estudo serem chamados de `truque’ — mas estou sem o material necessário.

Lamark se senta na frente do baú, pensativo. Não tinham muito tempo. A magia de sono que usou nos guardas estava perto de se acabar e outros podiam aparecer a qualquer momento.

Meltse também sente-se preocupado. Aquela peripécia estava demorando demais pro seu gosto. Ele encara a entrada da tenda com semblante fechado, sério. Não seria nem um pouco interessante se mais guardas surgissem ali. Se acontecesse, não teriam para onde correr. Seriam obrigados a lutar enquanto nenhum dos dois era bom em combate corpo a corpo.

— Temos que ir, Lamark!

O sáurio já sabia muito bem disso, mas ignora a voz do amigo. Queria muito descobrir o que tinha ali dentro. Não sabia arrombar fechaduras e nem tinha o necessário para a magia de mesmo efeito. Também tinha certeza de que a chave não estaria ali…

Explodir ou queimar o baú poderia funcionar, além danificar o que estivesse dentro. Não era uma boa alternativa…

O que fazer?

O ferreiro balança seu braço, nervoso. E com razão!

Lamark já estava se levantando quando se lembra de algo. Ele tinha uma magia que poderia abrir aquele cadeado! Mas ou menos…

Ele rapidamente fuça suas coisas a procura de um de seus frascos de tinta. E bem ali estava ele, com seu líquido vermelho sangue.

Fazia um bom tempo que não usava aquele tipo de mágica. Silenciosamente, o sáurio reza para Regigreph e Arthah, pedindo inspiração.

Usando seus dedos, Lamark espalha a tinta rubra em ambos os braços, desenhando padrões espirais enquanto murmurava no antigo idioma dos dragões.

Enquanto isso, Meltse suava frio. Olha para o sáurio, depois para a porta. Seu arco já estava em suas mãos. Quanto mais tempo ficasse ali, maiores as chances de alguém aparecer e eles ficarem encurralados!

Lamark termina de recitar as palavras mágicas e respira fundo: era hora de descobrir se tinha dado tudo certo.

Com uma das mãos, ele segura o pequeno baú com firmeza, enquanto a outra agarra o cadeado e começa a puxá-lo.

Como se fosse feito de manteiga, o cadeado cede, abrindo com uma facilidade que deixa o ferreiro impressionado. Mas é ao abrir-se o baú que ele fica realmente chocado.

Esquecendo-se completamente do perigo que corriam, Meltse dispara em direção ao baú, empurrando Lamark para o lado:

— Não pode ser! — exclama enquanto admira o exótico lingote que estava dentro do pequeno baú, assentado em cima de uma almofada de tecido aveludado.

Lamark questiona o amigo com um gesto com os ombros e espera por uma resposta. Meltse nem percebe. O que estava à sua frente era a coisa mais incrível que já tinha visto na vida.

Um lingote de metal esverdeado, com veios curtos e ondulados em preto, contendo uma insígnia que nunca viu na vida e pesando uns cinco quilos: era Ukithril!

O ferreiro corre para um dos rolos de tecido e rasga um bom pedaço, para então voltar ao baú e retirar o metal de lá com cuidado, enrolando-o no tecido recém rasgado. Com o mesmo cuidado ele deposita o lingote em sua mochila.

Sequer tinha parado para pensar no que estava fazendo. Uma estranha sensação o fez tirar o metal dali e não questionar. Aquele lingote merecia ser forjado! E não mofar ali dentro como uma relíquia esquecida.

— Vamos! — exclama Meltse, sem responder a pergunta silenciosa do sáurio.

Lamark estava curioso para saber o que era aquilo para ser tão importante a ponto de fazer seu honesto amigo repentinamente mudar de ideia e roubá-lo.

Um questionamento que ficará para depois: sua magia estava perdendo efeito. Silenciosamente os dois saem da tenda e, com a mesma presteza, adentram a floresta, seguindo viagem sem olhar para trás.

Durante a fuga, ainda conseguem ouvir o barulho de uma carroça e alguns cavalos indo em direção à tenda. Se tivessem demorado uns minutos mais, seriam surpreendidos e não teriam outra opção além de lutar.

Praticamente correndo, humano e sáurio se afastam da tenda e do vilarejo sem nome. Com um pouco de sorte, os guardas demorariam para entender o que exatamente aconteceu. Aí eles já estariam bem longe.

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