Capítulo 8 – A Sorte Bate A Porta (Parte 4 – Final)


Lamark, se valendo mais uma vez do conteúdo de sua bolsa, separa um punhado de folhas aromáticas. Normalmente usadas para fazer um chá calmante, nas mãos do sáurio tinham efeito muito mais intenso.

Com uma pequena palavra, as folhas se esfarelam. Levadas pelo vento, seguem em direção aos guardas.

Meltse só observa tudo de perto. “O maldito tinha uma magia para qualquer situação? Como tanto conhecimento  cabe numa cabeça só?”. Não podia deixar de admitir que magia era uma habilidade bem prática.

O sáurio pede para seu companheiro aguardar um pouco mais. O que quer que ele tivesse feito, demorava a mostrar resultados.

Os dois ainda ficam uns bons minutos escondidos atrás das árvores. Até que os mercenários começam a menear a cabeça, sonolentos. Pendem o corpo pra frente e acordavam rapidamente no susto. Até que não aguentam mais e caem ambos no chão, dormindo. Um ronco baixo vindo dos dois era perceptível.

— Vamos. — sussurra Lamark.

Ligeiros, os dois saem da proteção da floresta, seguindo despreocupados até a tenda.

— Tem alguma coisa que você não consiga fazer? — pergunta Meltse, murmurando.

— Um monte. — responde o sáurio, enquanto anda apressado.

Ao entrarem na tenda, são recebidos por uma infinidade de produtos. Rolos e mais rolos de tecidos dos mais variados materiais e cores. Prateleiras cheias de temperos, ervas e perfumes. Tapetes, rendas e bordados para todos os gostos. Tinha até uma pilha de lingotes de aço e prata! Ricos aqueles dois eram.

E dois guardas muito pouco para defender aquela pequena fortuna.

Meltse começa a ficar preocupado. Também não lembrava de ter visto carroças por perto. Aquelas coisas todas não chegaram ali por mágica.

— Eu não sei o que você vai fazer, mas é melhor sairmos logo daqui. — comenta o ferreiro — Podem ter mais guardas por aí.

Lamark estava em transe, exultando de felicidade enquanto admirava as prateleiras cheias. Até ouvir o comentário de seu amigo, que o traz de volta à realidade.

— Tem razão. — responde o sáurio, olhando de soslaio para a entrada da tenda — Dois guardas é muito pouco para defender isso aqui.

Rapidamente Lamark vai pegando alguns frascos e colocando-os em suas bolsas: seriam muito úteis no futuro. Meltse já desconfiava de que ele fosse fazer aquilo mesmo. Roubar… E o pior era que, olhando para tudo aquilo, as ideias do sáurio começavam a fazer sentido.

Enquanto observa a entrada, seu amigo escamoso abandona as prateleiras e começa a fuçar noutros lugares. Tinha pouco interesse nos tecidos, já que eram pesados demais para se levar, embora valiosos.

— Acho que vai ter que me ajudar, Meltse — suspira Lamark, enquanto move os tecidos do lugar. O humano responde com um arquear de sobrancelha. — Preciso que me ajude a procurar coisas pequenas e de valor. Ou dinheiro.

O jovem sáurio encara o ferreiro por alguns instantes, esperando sua reação irritada. Reação que não aconteceu:

— Hum… Talvez eles guardem um baú com moedas, ou algo parecido. Vai me ajudar? — continua o sáurio, hesitante — Ou realmente acha que estou fazendo coisa errada? — pergunta por fim.

Meltse suspira e meneia a cabeça. Continuava achando aquilo tudo errado, mas a atitude dos dois comerciantes também não era das mais acertadas.

Sem muita vontade, ele segue a um lugar qualquer da tenda e começa a revirar as coisas. Um pequeno sorriso surge em seus lábios ao imaginar os dois voltando ali e encontrando aquele pequeno caos.

E assim ele segue, tirando um rolo aqui, outro ali, procurando sabe-se lá o que. As únicas coisas ali que talvez valesse a pena levar eram os lingotes. Ou nem isso, já que eram bem pesados.

Já Lamark estava bem mais interessado no trabalho. Joga tudo o que fosse pesado e difícil de se vender para fora de seu caminho, procurando por qualquer coisa escondida entre os infindáveis tecidos.

O tempo vai passando sem qualquer sucesso para os dois, o que deixa Lamark nervoso. Estava quase para desistir e deixar por isso mesmo quando ouve Meltse chamando-o baixinho.

— Encontrei isto aqui por trás de uns tecidos de algodão cru. — sussurra o humano para o sáurio que vinha afoito em sua direção.

Segurava um pequeno baú bem simples e sem qualquer atrativo, embora fosse feito de madeira resistente, de boa qualidade. Um pesado cadeado o mantinha trancado.

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