Capítulo 7 – A Lâmina Prateada de Hazar


Loriel observava os hóspedes da estalagem enquanto limpava o balcão: os enormes homens do norte. Os elfos não precisavam de estalagens, tinham suas próprias casas ou as faziam eles mesmos.

Estavam em maior número que no ano passado. Comiam a rala soma de vegetais com sofreguidão. Se era muito pouco para elfos, imagine para aqueles humanos. Algo errado tinha acontecido… Era gente demais para ser uma seca, ou uma primavera gélida…

E, para piorar o aperto que sentia em seu peito, Ufiel sumiu. Já faziam uns dois dias que não o via em lugar algum. Nem o duque… Lembra-se de como o elfo negro comentou sobre a assustadora calma de Grael ao saber da fuga da loba.

Ela também estranhou muito tal reação, mas deixou passar. Talvez fosse só mais uma das loucuras do duque. Ora, era melhor assim, não? Quem sabe ele desistiu de sua `vingança’?

Loriel se agarra com todas as suas forças no pensamento de que estava tudo bem, não havia nada para se desconfiar. Que importava o sumiço de Ufiel?! Ou qualquer que seja a crise no norte? Ou o desaparecimento dos animais na floresta de Fafalar? Ou as colheitas murchando sem motivo aparente? Ou aqueles orgulhosos humanos implorando por comida e abrigo?

Não havia nada de errado! Nada!!!

A elfa branca não conseguia se acalmar. Fazia seu trabalho mecanicamente. Seria uma boa hora para Ufiel aparecer e tirar todas aquelas ideias ruins de sua cabeça. Ou o maldito lobo, Lionel! Ele saberia o que está acontecendo.

O sol se põe. Ninguém aparece.

Impaciente, Loriel decide fechar a estalagem e procurar o elfo negro. Esperava que ele apenas estivesse muito ocupado com alguma coisa que o duque tenha mandado ele fazer. Ou não…

Era uma noite sinistra, escura. Sem lua. A noite de Hazar. Só o tronco das árvores oferecia alguma iluminação.

Loriel nunca teve medo do escuro, como filha da lua que era. No entanto, o sente naquela noite em especifico. Continuava sentindo algo de ruim. Era como se os seus sentidos mágicos detectassem algum feitiço. Só que doentio… Podre… Maligno.

Não estava gostando nada daquilo…

Com passos firmes e coração vacilante, ela segue até a grande árvore do duque Grael.

Serviçais de rostos encapuzados passavam para um lado e para o outro. Nenhum era Ufiel. E seu medo aumentava…

Continua caminhando. Com a pressa de quem sabe exatamente o caminho, Loriel chega ao alojamento dos serviçais. Se Ufiel não estivesse ali, alguém saberia dizer onde encontrá-lo

E lá ele não estava. Encontra apenas Marliel, uma garota nova, pequena, coberta por uma leve pelugem castanha. Uma elfa da tundra como ela. Era responsável por arrumar os quartos. Ambas se conheciam. Trocam sorrisos amigáveis.

— Loriel, o que faz por aqui?! — pergunta a elfa castanha, alegre e desinibida — Quer falar com o duque? Ele não recebe ninguém há uns bons dias.

“Isso é estranho”, pensa a elfa branca. Afinal, por mais louco ou doentio que fosse, Grael ainda era o duque de Fafalar e tinha suas responsabilidades como governante.

— Não, amiga. — sorri melancólica. Não podia deixar passar o fato de conhecer Ufiel pessoalmente. Marliel a encara, confusa. — Não é algo para incomodar o duque. Basta seu servo mais leal, o elfo negro.

O rosto alegre e confuso da serviçal se desmancha em seriedade e tristeza.

— É claro que não sabe… — murmura a elfa castanha, de cabeça baixa — Ufiel? O elfo negro? Ele está morto…

As palavras de Marliel caem como um meteoro na cabeça de Loriel. Morto?! Por quem?! Ou ele tinha apenas fugido e forjado tudo? Era melhor deixar a garota falar.

— Ele… — continua, agora com semblante furioso, mostrando os dentes — traiu o duque! O maldito! Como pôde?! Lorde Grael sempre fez de um tudo para nós!!! Um absurdo! E por pouco o maldito filho da horrenda deusa da noite não conseguiu!

Com aquelas palavras, a elfa branca conseguia deduzir o que aconteceu. Ela seria o próximo alvo…

De alguma forma, Ufiel conseguiu quebrar sua maldição. Agiu contra o duque. Atacando-o. Suicídio. Visto que o duque era muito poderoso. até mesmo para o protegido de Hazar.

O elfo negro não deve ter tido a menor chance… Era por isso que sentia tanto medo! Ela era a próxima da lista. E só ainda estava viva porque a maldita raposa louca fazia seu teatrinho de vitima ferida.

— Oh… Sinto muito. — foi tudo o que Loriel conseguiu responder — Preciso ir.

O coração batia como louco. Precisava sair dali. Fugir de Fafalar! Já tinha planos de juntar provas e levar tudo para a Rainha, mas do jeito que as coisas iam, ela seria assassinada, esquecida. E Grael seria o duque por mais uns duzentos anos.

Descendo a escadaria da grande árvore, toma uma decisão arriscada: sair dali imediatamente. Procurar auxilio. Convencer a Rainha das atrocidades do duque de Fafalar. E sobreviver a tudo? Quem dera…

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