Capítulo 7 – Caminho Perdido (Parte 2 – Final)


— Quer dizer que tudo aquilo, a hostilidade, a fuga, tudo, foi por nada?! — exclama Hafix, assim que Seire termina de falar.

A loba apenas concorda com a cabeça, suspirando.

— Sinto muito… Foi tudo minha culpa.

A jovem não sabia se sentia tristeza ou arrependimento. Eh tão raro ela falar qualquer coisa… E justo ao abrir a boca, consegue perder um aliado, transformando-o num inimigo! Por motivo algum!

— Relaxe. Coisas assim acontecem sempre. — murmura Arth. Raffléia concorda com um leve aceno. Já Hafix estava visivelmente revoltado. Tanta fuga, sendo arrastado para lá e para cá, estava deixando-o com os nervos a flor da pele.

“Que diabos de vida esses dois têm para achar tudo isso normal?”, pergunta-se o humano. Mas foi ele quem tomou a decisão de segui-los, não foi? Teria de adaptar-se àquilo tudo…

Seire já se acostumava inconscientemente…

— Bem… — continua Hafix, apertando os dedos na nuca, tentando se acalmar — Para o sul e para o leste até chegar em alguma cidade portuária, certo? — os outros só confirmam com a cabeça.

— Não faço a menor ideia do que são estes outros lugares aqui no mapa, mas creio que estamos indo pelo caminho certo. A estrada que pegamos sai da cidade e segue até os contornos do mapa. Exatamente a nordeste daqui.

— Sua ideia é continuar caminhando até acharmos outra vila ou cidade e casualmente requerer informações? — pergunta a sáuria, num tom ácido.

— Tem ideia melhor? — retruca o humano, irritado.

— E os outros mapas? — interrompe Seire, antes que aqueles dois começassem a brigar de verdade. Todos já estavam estressados. Discutir em nada ajudaria.

Hafix percebe e baixa a cabeça, em sinal de trégua. Brigar não era a solução. Melhor era achar um caminho. Prontamente ele pega os outros mapas: tinha se esquecido deles. Assim, ele escolhe outro e o abre com cuidado, colocando-o sobre o primeiro. Não tinham muito espaço.

Aquele era ainda mais alienígena para os quatro que o primeiro. O humano sorri. O mapa até que podia estar escrito numa língua completamente desconhecida. No entanto, seguia as mesmas normas cartográficas que aprendera. Ainda lembra como achava que era um conhecimento inútil…

Ele abrangia uma área sem fim, bem maior que o primeiro. Se duvidar, mostrava o continente inteiro. Nunca tinha visto um trabalho assim antes. Impressionante!

Só que não tinha como distinguir o nome dos lugares. Nenhum… Ali estavam os grifos estranhos, assinalando seu destino final. Se bem lembrava, aquela cidade se chamava Ziemahas. Não queria pisar os pés lá nunca mais…

Os outros encaravam Hafix, curiosos. Ele parecia saber o que estava fazendo. Ele? Apenas suspira e nega com um gesto. O mapa era inútil se não soubessem onde estavam… Se ao menos ele tivesse os instrumentos… E estivesse de noite…

O humano abre o terceiro e último mapa. A esperança estava nele. Parecia antigo. Bem antigo. Hafix o encara, ainda mais mal humorado: estava escrito em outro idioma desconhecido qualquer!

— Eu não acredito! — exclama Raffléia, levando a mão à boca. Seus olhos grandes e negros brilhavam de pura felicidade — Eu conheço isso! Não pode ser!

A sáuria se mete na frente de Hafix e começa a admirar o pedaço de pergaminho antigo. E continua assim, murmurando palavras ininteligíveis por muitos instantes.

— Eh um mapa genuíno de Goldstein! — exclama de súbito, assustando os outros — Agora eu quero voltar e perguntar para Galiel como ele conseguiu esta maravilha…

Seire arqueia uma sobrancelha: — Este mapa é tão importante assim?

— Importante?! Altair Goldstein foi a maior historiadora e aventureira que já existiu!!!

A loba encara o humano, que faz sinal de que não sabe do que se trata. E encara o centauro, que dá de ombros, desinteressado.

— Eu não acredito! — fala furiosa a sáuria — Como por Regigreph vocês não conhecem Goldstein?! Vocês… São impossíveis! Hum hmm…

— Certo… O mapa pode até ser importante, mas… ele é antigo demais para servir de qualquer coisa — comenta Seire, observando as manchas do pergaminho, que denunciavam sua idade. Seus desenhos e rabiscos não faziam o menor sentido.

— Eh aí que te enganas! — retruca Raffléia, com o dedo indicador em riste — Algumas cidades existem desde antes dos elfos fugirem para este continente, há uns cinco mil anos.

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