Capítulo 7 – Caminho Perdido (Parte 1)


O plano improvisado foi um sucesso total. Um verdadeiro milagre. A cegueira só durava alguns segundos e mesmo ela não era de muita valia contra um elfo. Ou meio elfo, no caso.

A sorte foi ele ter decidido esperar. Foi o suficiente para pegar todos os mapas, sair do lugar, fingir que nada de errado estava acontecendo e sumir no meio da multidão.

Antes de saírem, Seire dá uma última olhada para o meio elfo. Estava parado. Sua espada desembainhada pendendo ao lado do corpo, pronta para qualquer ameaça. Só aguardava.

“Seria perigoso atacá-lo”, conclui a loba. Embora não tivesse qualquer senso de batalha, seu instinto formigava, dizendo-lhe que aquele ali tinha bastante experiência. Muito mais que qualquer um do grupo.

Aquilo tudo não era nem de longe uma boa maneira de agradecer pela ajuda. Roubar?! Agora com o sangue mais frio, arrepende-se de tudo. Mais do roubo que do deslize em revelar seus planos de viagem.

A reação de Galiel também não ajudou muito. Seu coração acelerou. Podia sentir facilmente hostilidade e medo. E isso era algo que ela tinha aprendido que só se resolvia de duas maneiras: fugindo ou lutando. E matar nem de longe era uma opção para ela.

Foi um alívio quando viu o olhar da sáuria. Dizia calmamente “eu tenho um plano”. E tinha mesmo!

Estavam todos agora mesmo seguindo até a entrada da cidade. Caminhavam com pressa, tentando parecer apenas como pessoas atarefadas.

Hafix, ainda um pouco atordoado, carregava os mapas debaixo do braço. Teve de puxá-lo quando Raffléia usou de sua magia divina para afetar os sentidos do meio elfo.

A sáuria e o centauro pareciam saber exatamente o que faziam. Era certeza que já passaram por situações parecidas outras vezes.

Pensava: “Que tipo de religião segue Raffléia para que roubar daquela forma com tanta facilidade?”. Iria esperar uma melhor hora para perguntar.

Os portões estavam próximos. Era fácil andar por ali. Todos se afastavam ao verem a sáuria. Nem o centauro causava tal reação ali.

Sem problemas, eles atravessam portão afora. Se não havia muito controle para entrar, para sair… Nada.

Uma fisgada acomete o coração de Seire. Vira-se para trás com uma estranha sensação.

Lá estava ele. O meio elfo. Bem no meio da multidão, perto da entrada. O olhar injetado. Hostil. Não se moveu. Aquilo era claramente uma mensagem:

— Não voltem mais aqui.

A jovem engole seco. Percebe com aquela mensagem silenciosa que… Foi tudo um horroroso mal entendido.

Galiel estava ali para defender a cidade, e não a mando de Grael. Não era um assassino. Era um guardião.

— Tarde demais para pedir desculpas. — murmura.

Raffléia ouve e a encara, sem entender. Explicaria depois. O importante era se afastar da cidade o máximo possível. Só que sem perdê-la de vista. Precisavam saber onde estavam para lerem os mapas.

Caminham por uma hora, seguindo a borda de uma estradinha que seguia para o sul.

— Aqui está bom. — fala o centauro, indo para fora da estrada, floresta adentro.

Os outros o seguem, em silêncio. Só param quando já estavam longe da vista de qualquer transeunte que pudesse passar pela estradinha.

Raffléia pega um grande pedaço de tecido de dentro da bolsa, limpa as folhas no chão e estende o pano no lugar já limpo. Prontamente Hafix desenrola os mapas por cima.

— Este foi o primeiro mapa que ele nos mostrou. — começa o humano, olhando ao redor e para o céu — Hummm… — ele vira o mapa até encontrar uma posição que lhe agradasse.

“Isso são horas de se preocupar com futilidades?”, pergunta-se a loba, sem entender o motivo daquele mexe-mexe.

— Assim está melhor! — continua — Bem aqui está a maldita cidade. — aponta para um ponto bem no centro do mapa.

— Mas não nos serve de coisa alguma — murmura Raffléia — A região toda me é desconhecida. Além disso, não podemos mais ir para o litoral. — explica, enquanto encara Seire.

Ela balança negativamente a cabeça. Foi tudo um enorme e desastroso mal entendido. O olhar reprobatório da sáuria lhe dói no fundo do peito.

— Podemos seguir com o plano… — suspira — A coisa toda foi um mal entendido. — e então a loba começa a explicar tudo o que viu ao saírem da cidade.

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