Capítulo 7 – Mal Entendido


Seire passa os olhos pelo mapa. Nenhum nome lhe era conhecido. Nada ali despertava sua memória. Era abrangente, mas não via o menor sinal de Fafalar. Seria possível eles terem caminhado tão longe assim?

Raffléia faz uma careta de frustração. A loba não era a única pessoa a não identificar coisa alguma naquele mapa. Arth nunca se interessou por cartografia, por isso nem se dá ao trabalho de olhar. Enquanto Hafix estava longe demais de casa para saber qualquer coisa em primeiro lugar.

— Vejo que este não ajudar. — comenta o meio elfo.

A sáuria só balança negativamente a cabeça. Já a jovem loba sentia que só olhar mapas não seria o suficiente. Teriam de pedir informação…

— Queremos ir para o litoral! O mar. — fala subitamente Seire, sem pensar muito. Esqueceu-se completamente do risco de revelar ses planos para desconhecidos. Principalmente para um elfo.

Os outros viram-se para ela com os olhos esbugalhados e as caras estupefatas. Tarde demais. O elfo já ouviu tudo.

Galiel, atento, percebe que tinha ouvido algo que ele supostamente não poderia saber. Seriam aqueles quatro apenas simples viajantes mesmo? Era estranho, até ali não havia sentido nenhum perigo ou hostilidade deles. Mas agora… Por que ele não poderia saber aonde eles iam? Por via das dúvidas, decide ficar mais atento. Podiam ser perigosos se eram assim capazes de esconder nervosismo. Bandidos, rufiões. Havia aos montes. E aquele grupo podia muito bem ser algo do tipo.

Na mesma hora, Seire percebe a mudança no meio elfo. Seu coração batia mais rápido e percebe uma pequena mudança em seu semblante. Isto enquanto sentia-se frustrada e arrependida por ter falado para onde queriam ir.

Tinha sido descuidada. O clima pacífico do lugar a fez se sentir relaxada, segura. Relaxada demais. Galiel podia ser apenas meio elfo, mas ainda assim elfo. E poderia muito bem estar do lado de Grael.

A loba sente um calafrio só de pensar no duque. E em seu serviçal… E no bizarro ataque de dias atrás. Raffléia tinha certeza que tinha sido obra de Grael.

O meio elfo sente o nervosismo daquele inusitado grupo crescer. Agora era notório para ele que escondiam alguma coisa. Ou muitas…

Não tinha sentidos tão apurados quanto os de um elfo, mas conseguia perceber mudanças de humor. Ou nervosismo. Era difícil alguém mentir para ele. Qual seria a reação deles se…

— Vocês… ser fugitivos? — pergunta, com voz séria. Aguarda a reação deles. Fugiriam? Atacariam? Ou simplesmente tentariam refutar tudo? Se fugirem ou atacarem, já sabia exatamente de quem se tratavam aqueles ali. Atacariam com certeza. E teriam uma bela surpresa… Ele se prepara para desembainhar sua espada.

— Quê? — reage Raffléia, confusa.

Então aquele elfo era realmente um agente de Grael? Naquele fim de mundo. Depois de dias correndo… Tinham sido encontrados tão facilmente?

Agora precisavam sair dali o mais rápido possível. E dos mapas. E seguir por um caminho que os levasse para bem longe do litoral! Seus perseguidores já sabiam de seu destino. Como fariam para chegar em Diamante desse jeito?

Arth e Seire, tensos, preparam-se para lutar. Seria muito fácil se transformar, tensa como estava. Também sente uma crescente hostilidade vinda do meio elfo.

Hafix, sem qualquer habilidade em combate, só se prepara para fugir e se proteger. Era só o que podia fazer para ajudar. “Como um clima aparentemente tão pacato tinha se transformado em mais uma situação de perigo e fuga?”, pensa.

Raffléia encara o centauro e a loba, pedindo calma com um olhar. Sem pensar muito, começa a murmurar no antigo idioma dos dragões, invocando palavras de poder. Com movimentos rápidos, joga um pó na direção de Galiel.

Era uma magia de cegueira. Iria atordoá-lo por alguns instantes. Com sorte pegariam os mapas e sairiam dali sem maiores contratempos.

O meio elfo esperava qualquer coisa vinda deles, menos aquilo. Magia?! Sua vista subitamente se apaga. Não faria diferença. Com a calma de um lutador experiente, aguarda a primeira onda de ataques. Aguça os ouvidos e saca a espada.

Nada.

Logo sua vista volta ao normal. A sala estava vazia. Os mapas? Sumiram.


Galiel ficou alguns segundos parado, atordoado. A espada desembainhada numa mão. A porta rangia, balançando ao sabor do vento.

Eles estavam em quatro! Um deles era usuário de magia. E optaram por fugir?… Não fazia o menor sentido. A menos que já o conhecessem.

Não parecia ser o caso.

O meio elfo recolhe sua espada, suspirando. Eles sairiam da cidade. Era o que importava. Só estranha o fato de não terem resistido. Não é da natureza dos de fora fugir quando têm a vantagem numérica.

Dando uma rápida olhada, ele percebe que a única coisa levada foram os mapas. Todo o resto estava intacto, em seu devido lugar. Até mesmo as coisas valiosas.

Sim… Eles iriam embora. Mas era seu dever garantir que fossem presos ou expulsos. Num movimento rápido e gracioso, sai de casa. Reuniria a guarda.

— Que L’uwa os proteja se eu encontrá-los ainda na cidade. — murmura.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s