Capítulo 7 – Galiel


Sem seus sentidos aguçados a atormentando, Seire consegue forças para admirar os arredores da mesma maneira que os outros.

A sáuria e o humano pediram desculpas por não terem percebido nada. O centauro não se pronunciou.

Onde quer que aquele elfo morasse… Era longe! Ou ele estava indo por um caminho longo de propósito. Seire sentia que estavam andando em zigue-zague. Pelo menos podiam relaxar e observar a cidade com calma.

Não sentia qualquer hostilidade nas proximidades. Nem aquele sentimento de medo e angustia de quando saíram de Fafalar.

Sendo assim, a loba percebe o quão estranho era o lugar. As casas eram de alvenaria, mas plantas cresciam pelas paredes. Não por descuido e sim como parte da construção. Uma mistura entre humano e élfico. Como tudo ali. Era bizarro…

Havia também várias igrejas e templos. Para quem? Deuses humanos ou élficos? A jovem clériga não sabia dizer. Talvez os visitasse depois.

Interessante era que, apesar dos muros, não conseguia ver um castelo em lugar algum.

A maldita cidade não funcionava de nenhum jeito que ela conhecia! Se a cidade precisava de muros, quem controlava o exército? Aliás, onde pelos deuses estavam os guardas, soldados, qualquer coisa?! Era melhor nem questionar.

Depois de umas boas horas de caminhada, o grupo finalmente chega em seu destino: uma casa grande, de dois andares, com grossos caules de árvore servindo de pilares e vigas, as paredes feitas de pequenos tijolos brancos.

— Minha casa. — declara Galiel, abrindo a porta, de onde sai um forte aroma de rosas.

Seire espirra. Não gostava de flores.

Humano, centauro, loba e sáuria são recepcionados por uma grande sala de estar. Havia estantes cheias de livros e poltronas macias. A luz do sol iluminava o ambiente. Seire supõe que espelhos traziam a claridade para lá, como se fazia no monastério.

Num canto havia um pequeno criado mudo, com algumas flores e a pintura de uma pessoa. Uma mulher. Humana. Lembrava-lhe um altar. O elfo se ajoelha diante do pequeno móvel com deferência e murmura algumas palavras ininteligíveis.

— Por favor, esperar aqui. Eu buscar mapas. — fala Galiel, por fim. E sai casa adentro, desaparecendo das vistas dos outros.

Seire dá uma olhada ao redor. A casa era bonita. Os livros não seriam leitura para ninguém: estavam todos no estranho idioma daquela cidade. Raffléia se senta numa poltrona, frustrada.

Já a loba estava mais interessada no criado mudo. Quanto mais analisava, mais tinha certeza de se tratar de algum tipo de altar. Ou uma lápide… Era o mais provável. Um lugar para prestar homenagem aos mortos.

Mas quem seria a humana para ser tão importante ao ponto de merecer uma homenagem daquelas de um elfo? Era algo apenas para a família… Entes queridos. Não uma amiga. Porque obviamente era a única coisa que aquela pessoa podia ser.

Absorta enquanto observava a pintura, Seire não percebe a volta de Galiel. Ele tinha parado ao seu lado, com alguns pergaminhos enrolados debaixo do braço. Encarava a foto com tristeza no olhar.

— Mamãe. — murmura — Ela morrer faz 20 anos. Mas viver bem. Vida plena.

“Mãe?! Uma humana?!! Mas… Como?…”, pensa a jovem clériga. Raffléia e Hafix também piscam surpresos com o que ouviram.

Ele tinha muitos traços élficos. Não podia ser humano! Galiel sorri. Já estava acostumado com aquela reação vinda de forasteiros. Era sempre assim. Uma maneira de verificar a índole da pessoa.

— Meu pai ser elfo. Mãe, humana. — tenta explicar — Muitos de fora achar confuso. Mas aqui isso ser comum.

Raffléia acena com a cabeça, em sinal de entendimento. Hafix queria fazer perguntas. Entretanto, ambas sáuria e loba o fulminam com os olhos. Não era apropriado. Arth também se surpreende, mas prefere nada dizer. O assunto era… complicado.

A loba sabia que relacionamentos entre raças distintas eram mal vistos. Tabu. Blasfêmia. Mal agouro. Galiel devia saber disso, já que tinha contado para eles, pessoas de fora.

Então… Um… meio elfo… O silêncio era palpável, sufocante.

— Bom… Poderia nos mostrar os mapas, senhor Galiel? — pede Raffléia, tentando quebrar aquele clima de tensão.

— Oh! Sim. Sim. — o elfo sorri. Aqueles ali não podiam ser tão ruins assim.

O meio elfo despeja os pergaminhos em cima de uma mesa. Seire o acompanha e se senta numa poltrona de frente para a mesa.

Finalmente saberiam onde exatamente estavam. Pelo menos era o que todos ali esperavam. Existia a chance dos mapas serem inúteis…

A loba espanta o pensamento negativo. Os mapas tinham que ajudar!

Galiel abre o primeiro mapa:

— Aqui ser Balmar. — fala, apontando para o meio do mapa em questão.

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