Capítulo 7 – Paranoia


Seire, Raffléia, Arth e Hafix caminhavam feito loucos. A loba ignorava completamente seus ferimentos cicatrizando e suas roupas novamente ensanguentadas. A sáuria, montada em Silf, recitava baixinho magias de proteção e ocultamento: se alguém os seguisse magicamente, ela saberia. O centauro engole seu orgulho e permite que o humano vá montado nele. Já este último, nada podia fazer além de se sentir um completo inútil.

O ataque que sofreram foi súbito e potencialmente fatal. Nenhum deles entendia por que parou, mas agradeceram silenciosamente aos deuses.

Raffléia achava que o agressor ficou sem energias para manter um feitiço tão poderoso. Já Arth não concordava. Não fazia sentido atacar se não tivesse a certeza de que tinha mana o suficiente para acabar o que começou. Seire e Hafix estavam chocados demais para pensar em qualquer coisa.

Os quatro seguem num ritmo frenético, sem parar nem para comer, por dois dias e duas noites. Ate encontrarem uma estrada.

“Finalmente!”

Imediatamente eles pegam tal estrada. Não tinham tempo para pensar em humanos hostis que pudessem aparecer. Seria melhor se chegassem em uma cidade élfica. Ou não…

O fato é que precisavam chegar a um lugar protegido o mais rápido possível e traçar planos para sair daquele continente.

Conforme vão atravessando a estrada, seguindo sabe-se lá para onde, aos poucos vão surgindo pessoas: humanos e elfos.

Reagiam com medo e cautela, mas nenhuma hostilidade aparente. Todos do grupo respiram aliviados. Não tinham parado num lugar perigoso.

Em poucas horas eles chegam numa cidade de grande porte. Não haviam encontrado problemas no caminho, só alguns olhares curiosos e outros assustados. Até fazia sentido. Ali não havia sáurios e todos sabiam que centauros tinham deixado de existir já há algum tempo.

Era um lugar desconhecido para todos ali. Também não era uma cidade comum. Nem era élfica com suas árvores trabalhadas, nem humana com sua alvenaria e muros. Era ambas.

O inusitado grupo foi recebido por uma imponente muralha feita de grossos carvalhos, obviamente arte dos elfos. E portões escancarados.

Pelas feições amenas e despreocupadas das pessoas e pelo fato dos portões estarem abertos, significava que já fazia algum tempo que qualquer batalha tivesse acontecido ali. Já os muros diziam que houve inúmeras guerras num passado desconhecido.

Raffléia fica excitada ao saber que entrava num lugar que nunca antes estivera. E cheio de história! Os outros três? Só queriam dormir. E muito!

Entrando na cidade sem quaisquer problemas além dos já costumeiros olhares. Eles se maravilham com a vista. Era muito maior que imaginavam! Deviam ser dezenas de milhares de pessoas ali!

Uma grande feira estava acontecendo às portas da cidade desconhecida. Eram vendedores gritando, crianças correndo, adultos conversando e rindo. Um verdadeiro caos.

— Pela deusa! Nunca acharemos uma estalagem com quartos livres! — exclama Seire, que nunca tinha visto tanta gente junta na vida.

— Mas pelo menos conseguiremos informações. — sorri a sáuria — Afinal sequer sabemos onde estamos!

“Isso se alguém responder qualquer coisa pra gente”, pensa a loba. Ela via os olhares, ouvia os cochichos. E tudo a deixava enjoada.

Todos os elfos ali sabiam que ela era um monstro. Todos os humanos tinham um medo terrível da sáuria. E ainda tinha o centauro fazendo com que achassem estar sonhando.

Pelo menos ninguém era hostil. Nem seu instinto gritava `perigo’ como dias atrás. Talvez realmente estivessem a salvo por um tempo.

Sem qualquer problema, o grupo encontra uma estalagem. E com sorte, conseguiriam alguma informação. E quem sabe até uma hospedagem!

Estava cheia de gente, quase tanto quanto do lado de fora. A julgar pelas roupas, deviam ser comerciantes vindos de outras localidades. Havia poucos com cara de viajantes. Todos humanos.

Olhavam, intrigados. E só. Como se tivessem acostumados a ver coisas inusitadas. De fato não havia algo mais estranho do que aquele grupo de quatro criaturas dão distintas.

— Bom dia, jovem dama — inicia Raffléia com uma moça que atendia no balcão — Gostaríamos de algumas informações. E se possível, um quarto para nós quatro.

A garota, tão nova quanto Seire, apenas se encolhe, amuada. A sáuria abre um sorriso para apaziguar os ânimos, mas parece que o ato teve o efeito contrário. A garota se afasta ainda mais.

— Eu acho que ela não entendeu o que você falou. — comenta Hafix — Creio que as pessoas aqui  não falam o idioma comum. Pelo menos eu  não consigo entender quase nada da algazarra lá fora.

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