Capítulo 6 – Sob o véu


Alexsander e o ancião sáurio observam Rassufel e Vatra já longe, seguindo a estrada. A sáuria só iria até os limites da primeira vila que encontrassem. Já o humano… Não sabiam seu destino final. Desejavam que ele chegasse em segurança.

Também seria interessante se ele se juntasse a Lamark e Meltse. Iriam precisar dele mais cedo ou mais tarde.

O sáurio tinha deixado a sementinha plantada. “Se quiser Schafro para si, o dono dele vai estar na capital daqui a uns dois meses, creio”. Rassufel apenas sorriu. Só não sabia se ele iria ou não atrás de Lamark…

Com certeza iria… Se o que ele contou for verdade, sua volta para casa não vai ser… boa.

Bem, ele já fez tudo o que podia. Agora iria só esperar tudo dar certo e algum dia os três garotos voltarem, juntos, e vivos, para Flussevir.

— Então Diamante, — murmura Alexsander para o ancião sáurio — por que mesmo você deixou um cadete do Exército de Gaheris sair por aí com a montaria do meu aluno?

— Talvez pelo mesmo motivo que o fez trazê-lo aqui em primeiro lugar! — responde o sáurio — Pelo menos podia ter avisado, para recebê-lo melhor!

Alexsander ri:

— Quando eu disse que não foi possível, eu não estava apenas inventando. Nós saímos correndo o mais rápido que pudemos. Se não Gaheris nos mataria!

Diamante rumina por um tempo, em silêncio. Tinha coisa demais acontecendo e não podia fazer nada além de mandar jovens mal saídos do berço para fazer o trabalho dos adultos. Pelo menos havia Alexsander.

— Falando nele. O que tem a me dizer sobre o que aconteceu e Rammphel? — pergunta o sáurio.

— Muita coisa. — responde — Mas é melhor falarmos disso noutro lugar.

— Sim, sim. É verdade. — murmura Diamante, observando a entrada de Flussevir. Yassa não voltou com Alexsander. E talvez não voltasse… Suspira.

Os dois calmamente voltam para a residência de Diamante. Em silêncio, cada um com seus pensamentos e preocupações


— Então, o que tem a me dizer?

Diamante e Alexsander estavam na biblioteca. Bebericavam tranquilos, como se conversassem amenidades.

— Começando pelo mais importante: — começa Alexsander — eu confirmei minhas suspeitas e descobri a fonte da imortalidade de Gaheris. Ou quase.

— Ou quase? — o velho sáurio arqueia uma sobrancelha.

— Eu não sei qual a fonte, mas meu método é eficaz em… removê-la. Por assim dizer.

“Não sabe a fonte, hein?”, pensa Diamante. “Você por acaso acha mesmo que eu não sei do seu segredinho? Ou deles todos?”

Claro que Alexsander não ouvia nada daquilo. Diamante fazia questão que não ouvisse. Não queria vê-lo fugir para nunca mais voltar.

— O problema… — continua — É preciso realmente matá-lo algumas vezes para ser definitivo… E alguém capaz de fazê-lo.

— E uma arma especial… — murmura o sáurio. Alexsander concorda com a cabeça.

— Você tem noção que nossos planos dependem de dois garotos? — pergunta o mago, rindo.

— Não dois, três! — responde Diamante, piscando um olho — E talentosos! A menos que… você esteja disposto a fazê-la você mesmo.

— Não mesmo! — exclama, levantando as mãos — Não tenho talento para a coisa.

— Foi o que imaginei. — sorri — Nada pode com as habilidades de um Eisen!

— Mas… Ele não é exatamente um Eisen…

— Não… Ele é muito mais.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s