Capítulo 6 – Voltando para Casa (Parte 2 – Final)


O cadete se aproxima do animal com calma. Murmura baixinho. Vem cá, amigo. Só quero te conhecer. Sorri enquanto estende a mão para a criatura, sem tentar tocá-lo.

O grande réptil observa, desconfiado. Criaturinha estranha, de cheiro esquisito, sem escamas. Os outros diziam que era melhor morder e fugir ao encontrar um bicho daqueles. Mas ele não era de fugir!

Rassufel sorri. “Então esses animais não confiam em humanos, hein?”. Ei garoto, pode morder minha mão se quiser. Só tente não arrancá-la. Eu preciso dela.

O réptil se afasta, assustado. Aquela coisa falava com ele! Conseguia entendê-lo. Não era assim com os escamados bípedes. Suspeito. Então eu posso te morder? Você é engraçado!

Sim. Se o deixar mais tranquilo.

O animal cheira a mão de Rassufel, desconfiado. Você é venenoso?

Ele se segura para não cair na gargalhada. Iria estragar tudo. Mas era muito engraçado. Pela primeira vez um animal perguntava aquilo para ele. Não, não sou! Já posso pegar em você ou ainda quer morder?

O réptil encara a mão do cadete por um tempo. Estava se divertindo muito com aquilo. Sentia que aquela estranha criatura sem escamas nunca lhe faria mal. Nunca!

Venha, antes que eu mude de ideia!

Sem perder tempo, Rassufel chega bem perto do animal e começa a afagá-lo. Esperto e desconfiado. Mas todos gostam de atenção e carinho. E não seria nem um pouco diferente com aquele grandalhão orgulhoso e altivo.

Enquanto isso, os outros olham para a cena embasbacados. Nem Vatra nem o cuidador tinham visto algo parecido na vida! Alexsander piscava, incrédulo. O ancião sorria, satisfeito.

— Você tem uma habilidade interessante, rapaz! — comenta o velho sáurio.

— Habilidade? — começa Rassufel, desconfiado — Só tenho um jeito com animais. Aliás. Qual o nome dele?

Eles me chamam de Schafro, mas meu nome é Corre-Com-O-Vento. O réptil circula o cadete, galante.

— Schafro. — responde o cuidador, ainda sem acreditar no que via. Ele mesmo tinha problemas com aquele ali. Era para ser impossível a um humano…

— Bem, se conseguir montá-lo, pode levá-lo para auxiliar em sua viagem. — comenta o ancião sáurio — No entanto, terá que devolvê-lo. O animal não é meu, não posso dá-lo. E seu dono não se encontra aqui no momento.

— Fora que as pessoas se assustarem com uma criatura dessas. — fala Alexsander, finalmente quebrando seu silêncio.

Era bem verdade. Rassufel não tinha pensado nisso. Só o que queria era voltar o mais rápido possível para casa. E para isso precisaria de uma montaria. Também já se sente apegado ao animal.

— Então eu tenho que voltar aqui… — murmura.

Ei! Quem você pensa que sou?! Eu sei voltar sozinho! Você tem cheiro de quem precisa de pés ligeiros. E eu quero uma aventura!

Eles não vão gostar nem um pouco se eu disser que você volta só! isso vai ser nosso segredo, certo?

Certo.

— Por favor, arranjem-me uma sela. — pede, sorrindo feito criança.

O cuidador olha para o ancião. Este apenas acena que sim. E assim é entregue uma cela ao cadete. Não tinha adornos, mas era de ótima qualidade. Não era uma sela qualquer.

Com segurança e habilidade, o jovem soldado sela Schafro. Era igual selar um cavalo, e isto ele já fizera milhares de vezes. Ao terminar, fica satisfeito com o resultado: a sela era perfeita para aquele animal. Schafro também parecia feliz.

Assim Rassufel o monta com um único movimento, gracioso e preciso. Vamos lá, garoto. Mostre-me do que é capaz.

Orgulhoso, o animal dispara estábulo afora num piscar de olhos. Vejamos por quanto tempo você vai ficar aí em cima!

Era uma criatura impressionante! Um amador já teria se estatelado no chão e quebrado o pescoço. Mas Rassufel desconfiava que Schafro faria aquilo. Ele abaixa o tronco, ficando rente ao corpo do réptil. As pernas seguravam-no firme. Os sáurios ao redor observam, impressionados.

Schafro para abruptamente. Ainda está ai?

Estou, mas não graças a você!

O animal então volta para o estábulo, trotando. Aquela criatura sem escamas era interessante! Seria divertido viajar com ele.

Ao entrarem, os dois são recebidos por três sáurios e um humano de queixos caídos.

— A cada dia que passa, vejo uma coisa mais impressionante que a outra. — comenta o cuidador — Schafro não aceita que ninguém além do jovem Grischarr o cavalgue. Como por Regigreph você fez isso, humano?

— Digamos que os animais costumam gostar de mim. — responde Rassufel. Esta explicação bastava, pois, se contasse a verdade, diriam que era louco. — Vou levar Schafro comigo. — fala para o ancião sáurio.

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