Capítulo 6 – O Senhor dos Sáurios (Parte 2 – Final)


Rassufel acorda com o cheiro de pão quentinho e chá de maçã. Encontra-se deitado num sofá grande e macio. Lembrava-se vagamente de ter tido um surto de pesadelos. Teria desmaiado? Pelo jeito, sim.

— Ah! Finalmente acordou! — ouve a voz áspera do sáurio — Estávamos ficando preocupados. — suspira — Não se levante agora, pode ser ruim. Respire fundo e relaxe. Ou tente. Porque sei que não é algo fácil o que peço.

O cadete obedece prontamente. Realmente não se sentia bem. Era como se estivesse de ressaca. Mantém os olhos fechados e reza para que nenhum pesadelo o atormente. Tinha algo estranho no cheiro do chá…

— Bem… Pelo visto o que Alexsander disse é verdade. Quimeras não são nada boas para a sanidade. Não posso fazer muito quanto a isso.

O aroma do chá vai aos poucos penetrando nas narinas de Rassufel. Relaxante… Lentamente seu enjoo vai passando e nenhum pesadelo o atormenta.

Os outros dois permaneceram em silêncio. Só o que se ouvia era o leve tilintar das xícaras com seus pires. Ou estavam esperando o jovem cadete se recuperar ou simplesmente tinham algum assunto que não era para os ouvidos de Rassufel. Algo lhe dizia que era a segunda opção.

Já se sentindo melhor, decide por se levantar. Afinal, eles o ajudariam a voltar para casa, certo?

O sáurio prontamente o oferece uma xícara. Rassufel encara o líquido fumaçando com suspeitas. Tinha certeza que havia algo mais ali dentro, mas nada que alertasse seu senso de perigo. Bebe.

— Então, — começa Alexsander — eu prometi ao rapaz que o ajudaria a voltar para casa. Poderia fazer este favor por mim, amigo?

O sáurio então começa a gargalhar. Ele não tem nenhum escrúpulo em pedir coisas! Era verdade que não seria problema algum ajudar o pobre garoto. Mas com certeza tinha algo mais. Sempre tinha.

— E por que eu faria isso, caro amigo? — pergunta, em tom de deboche.

Alexsander sorri. Rassufel também já esperava aquele tipo de resposta. Ora! Pedir para os outros fazerem o que você prometeu?! Só que havia ali algo estranho. Como se aqueles dois tivessem combinado a conversa toda e estivessem encenando.

— Ora! — responde Alexsander — Talvez porque o rapaz tem uma história daquelas para contar! E ele só vai fazer isso se você o ajudar com suprimentos, transporte e direção para ele poder ir para casa! Não é verdade? — sorri e olha rapidamente para Rassufel.

“O que?!”

Aquele maldito traidor do Reino achava que ele iria contar alguma coisa para um maldito sáurio num maldito fim de mundo?!0

Se bem que… Que opção ele tinha!

— Deve ter mesmo. — comenta o sáurio, com um largo sorriso no rosto — Então?…

Rassufel não estava gostando nenhum pouco daquilo. Tinha caído direitinho na arapuca. Agora não tinha opções além de falar ou falar.

Ele se pergunta que tipo de informação queriam eles dele. Interesse pelo seu sofrimento que não era! Provavelmente alguma coisa sigilosa que eles achavam que ele sabia. Ora, ele era do Exército! Só que os dois não sabem que sou apenas um cadete que acabou de participar de sua primeira campanha.

A mente de Rassufel trabalhava à mil. “Estou armado. E se…”, pensa em atacar os dois ali mesmo e fugir. Mas… Como sairia depois? Para onde iria? Sequer sabia em que parte do Reino estava. Também tinha a estranha sensação de que não teria a menor chance contra os dois…

— Calma, calma! — exclama o sáurio, levantando as mãos em sinal de paz — Acho que você está interpretando mal as coisas.

Rassufel pisca, um tanto confuso. Ou sua raiva e frustração com a situação estava estampada em seu rosto ou aquele maldito lagarto estava lendo sua mente. Ou ele era um velho muito esperto.

— Eu não sei o que está passando nessa sua cabecinha apressada, — continua o sáurio — mas eu posso assegurar que não queremos prejudicá-lo em nada.

“Esse rapaz se irrita muito fácil”, pensa o sáurio. “E também prudente. Um bom garoto!”, sorri por dentro. O cutucão deu uma resposta interessante. O garoto milagrosamente não tinha sido afetado por Gaheris. Queria mantê-lo ali por um tempo, só que isso seria muito injusto. Talvez… Dar um jeito de fazê-lo voltar por livre e espontânea vontade.

— Acho que brinquei demais — comenta, em tom de desculpas. Eu gosto de ouvir histórias. E contá-las. E você sobreviveu a algo incrível!

— Eu não chamaria de incrível… — murmura Rassufel, ainda desconfiado. Sabia que o sáurio falava a verdade. Só que também sabia que estavam escondendo MUITA coisa.

Ele suspira. Se os dois queriam uma história ´incrível’, eles a teriam… Se queriam saber alguma coisa sobre ele ou o Exército… Aí já eram outros quinhentos.

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