Capítulo 6 – O Senhor dos Sáurios (Parte 1)


Sem saber onde estava, Rassufel acha melhor enterrar seus pensamentos bem fundo. Do jeito que estavam as coisas, não poderia fazer nada sem a ajuda de Alexsander. Melhor era aproveitar o presente e deixar os problemas de amanhã para o Rassufel de amanhã.

A começar pela beleza da cidade em que estavam. Observando melhor, podia notar o cuidado com que ela foi construida. Um tanto como Athos. A arquitetura era diferente, mais simples, mais… natural? Não sabia dizer ao certo. Athos parecia uma fortaleza gigantesca. Flussevir fazia-o sentir-se numa bucólica vila.

Era noite e o cadete acha intrigante a quantidade de gente, no caso sáurios, no meio da rua. Não era assim em nenhuma outra cidade que esteve. Por algum motivo inexplicável, ele se sentia seguro e aliviado.

Os sáurios também não pareciam hostis. Via alguns espiando. Outros comentando. Todos mantinham certa distancia. Como se eles fossem pessoas conhecidas e importantes. Ou pelo menos Alexsander seria…

Suas pernas começavam a doer. Não via a hora de arriar numa cadeira e entornar uma caneca. “Espero que cheguemos logo…”, pensa. E então ele ri de si mesmo. À pouco estava com a cabeça cheia de preocupações. E agora? Só interessavam amenidades.

Para o azar de Rassufel, eles ainda teria de atravessar toda a cidade, até a cachoeira. Ao lado dela havia uma grande abertura esculpida na montanha. A caverna era natural, mas tudo foi trabalhado e esculpido para ficar mais belo e imponente. Quem quer que morasse ali era importante entre os sáurios.

Sem hesitar, Alexsander adentra a caverna. Tifo não entra. Confuso, o cadete olha para os lados. Devia ele entrar com o maldito reitor ou ficar com seu servo? Logo obtêm sua resposta:

— Vamos garoto! Venha! — fala Alexsander, voltando para chamar o desnorteado Rassufel.

Ele vai, deixando um indiferente Tifo para trás. Este tinha outras coisas a fazer e outros lugares a ir.

Qual não foi a surpresa de Rassufel ao entrar na caverna! Por dentro era ainda mais ricamente trabalhada. O cadete foi recepcionado por uma impressionante biblioteca. Pela quantidade de mesas, cadeiras e poltronas, ela era compartilhada por muitos. Mas a disposição e a qualidade da mobília deixava claro que aquilo era coleção particular de alguém.

Então sáurios também criam letrados e dividem conhecimentos? Interessante. Seus irmãos ficariam chocados em saber disso. Isso é… se acreditassem nele…

Mais à frente, dois sáurios conversavam acaloradamente, sentados em poltronas. Um deles era forte, robusto. Usava um peitoral metálico simples mas bem feito. O outro era obviamente idoso até para os olhos de Rassufel. Rugas despontavam pelo rosto. Era alto! Os dois pareciam estar de bom humor. Não entendia nada do que diziam.

Ao avistar Alexsander e Rassufel, os dois sáurios se levantam e vão em direção os recém chegados. O de armadura cumprimenta discretamente Alexsander e sai. O idoso abre um largo sorriso e abraça o reitor da Academia de Valphala.

— Não o esperava de volta tão cedo, meu amigo! — comenta o sáurio, em prefeito idioma comum — Por que não me avisou que vinha?! — pergunta, sorrindo, mas Rassufel percebe um leve tom de reprimenda na pergunta.

— Ora! Eu também não esperava voltar tão cedo aqui. As coisas aconteceram rápido demais. Nem lembrei de escrever. E mesmo se eu tivesse mandado uma carta, ela chegaria depois de mim!

— Faz sentido. O que o traz aqui, então? E… Quem e o garoto? — indaga, olhando para Rassufel — Ele esta com a armadura do Exército de Gaheris, mas…

“Mas?”. A voz era cordial, só que o cadete sente haver algo mais ali. Um súbito medo o atinge. Teve que se controlar para não sair correndo.

— Sim. Ele é do Exército de Gaheris… — suspira Alexsander — O único que sobreviveu em Rammphel.

— Sobreviveu? — o sáurio o encara, incrédulo.

“Como aquele sáurio já sabia o que aconteceu em Rammphel?!!”, Rassufel começa a ficar desconfiado. Eles teriam alguma coisa a ver com aquele pesadelo?

— Sim. Bem. O garoto se chama Rassufel. E… Yassa o poupou.

O sáurio arqueia uma sobrancelha. Não parecia acreditar no que Alexsander dizia. “Pelo menos não é somente eu que acha estranho eu ainda estar vivo…”

Era algo que o intrigava… Aquele monstro, Yassa, não parecia ser alguém capaz de poupar vidas. Na verdade, divertia-se com o sofrimento e o medo dos outros…

Sente novamente um gosto metálico na boca. Ia começar tudo de novo! Seu estômago reclama. Sua respiração começa a ficar ofegante. Era como estivesse se afogando. Não consegue se mexer. Sua visão turva. Cai desmaiado.

Nem o clima de segurança e paz dali era capaz de aplacar os pesadelos.

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