Capítulo 6 – Rumo ao Desconhecido (Parte 2 – Final)


Alexsander, Tifo e Rassufel continuam a caminhada pela encosta das montanhas Beor, sempre a leste, por mais dois dias. Andavam rápido, mas não tanto quanto no primeiro dia. Se não fosse assim, Rassufel teria parado a muito tempo.

— Vamos morrer antes de chegar em qualquer lugar se continuarmos desse jeito. — desabafou Rassufel na noite do primeiro dia.

Alexsander só deu de ombros enquanto Tifo não parecia muito feliz com qualquer coisa. No dia seguinte, diminuíram o passo, a contra gosto.

E assim eles vão, até chegarem na entrada de uma estrada. Uma que Rassufel nunca viu na vida. Estavam no meio do nada, nos confins do Reino do Norte,, bem na fronteira leste. Isso é: se é que ainda estavam no Reino.

Por que alguém iria se dar ao trabalho de construir uma estrada que dava direto para a parede das montanhas? Não sabia responder. Embora fosse notável que ela era bastante utilizada e estava em perfeitas condições.

Assim que põem os pés nela, tanto Alexsander quanto Tifo respiram aliviados. Para Rassufel, não fazia muita diferença entre a montanha e a estrada, mas agradece. Afinal, não teria mais pedras e raízes para fazê-lo tropeçar.

O ritmo de caminhada também cai para níveis aceitáveis. Era como não precisassem mais fugir.

— Espero que cheguemos antes de anoitecer. — murmura Tifo.

“Então há uma vila aqui por perto?”, pergunta-se o cadete. Não conhecia nada dali. Mas, a julgar pela estrada, era para ter pelo menos algum vilarejo por perto.

Pouco após anoitecer, eles chegam às margens de um enorme rio. Considerando o tamanho avantajado, devia ser o Rio Grande, que atravessa todo o Reino.

Rassufel respira aliviado e cansado. A viagem foi dura, mas teve como `descansar’ com o ritmo mais lento na estrada. Foi um trecho tranquilo. Ate demais: não viram vivalma. Também Alexsander e Tifo não pareciam nem um pouco aflitos, como estavam na floresta e na borda das montanhas.

Os três ainda seguem por vários minutos seguindo pela borda do rio ate chegarem numa enorme árvore solitária. As montanhas Beor podiam ser vistas com todo seu esplendor ali. Dela jorrava uma exuberante cachoeira: a nascente do rio.

— Sou Alexsander B. Holder, amigo de Diamante. — fala subitamente o reitor da Academia, ajoelhando-se de frente para a grande árvore — Solicito entrada em Flussevir, as Águas Eternas, para mim, meu servo e um convidado.

“Ele esta doido? Falando com árvores?”, pensa o jovem cadete, enquanto seus olhos pareciam lhe pregar uma peça.

Como se fosse uma miragem, uma enorme cidade de pedra surgia à sua frente. Onde antes só havia rio, relva e montanha, aparecem pontes, casas e praças! E pessoas!!!

Não, não eram pessoas. Eram sáurios!

Rassufel nunca tinha visto um na vida; achava que eram lenda. Mas aquelas criaturas batiam com a descrição: répteis bípedes, altos, musculosos e assustadores.

No entanto, por algum motivo não sentia perigo algum. O que era muito estranho, tendo em vista que um os dois deles era o suficiente para derrubá-lo e ali havia milhares deles. Ou pelo menos era essa a quantidade que cabia numa cidade daquele tamanho.

E que cidade! Parecia demais com Athos: toda feita em pedra, um pouco menor, sem os muros. Mas quem precisa de muros quando nem se sabe de sua existência?

Queria saber como eles fizeram para a cidade sumir assim. Ou por que Alexsander era bem vindo ali. Pelo menos agora ele sabia que sáurios não eram apenas histórias para assustar crianças. E, observando bem, Rassufel conseguia ver que não eram selvagens como diziam. Não arriscaria dizer que não eram hostis…

Um sáurio mal encarado os observava. Portava lança e escudo e estava do lado da grande árvore. “Como não o vi?”, pergunta-se o cadete.

Alexsander o cumprimenta educadamente e Tifo faz questão de passar o mais longe possível dele.

O sáurio não responde. Só continua encarando com cara de poucos amigos. Não parecia hostilidade, estava mais para frustração.

Se Alexsander era bem vindo ali… aquele sáurio não concordava.

Seguem em frente, deixando o sáurio mal humorado para trás. “E haviam sáurios bem humorados?”

Enquanto isso, Rassufel ainda não acreditava no que estava acontecendo com ele. Talvez estivesse sonhando. Ou morto… Já que não conseguia acreditar que ainda estava vivo. Aquele monstro não tinha motivos para poupá-lo. O cadete suspira.

Precisava voltar para casa.

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