Capítulo 5 – A Reconstrução de Hochberg (Parte 1)


Balthazar estava deitado em sua cama. Não conseguia dormir. Tudo estava de ponta cabeça. Seu filho, juntamente com os outros defensores, estavam aprisionados. A vila foi atacada e queimada. Quase tudo perdido, só algumas casas continuavam de pé. E a sua era uma delas.

Os malditos Helten cresceram como covardes… E isto era culpa dele. Seus pais deixaram os garotos aos seus cuidados… Não deu a devida atenção a eles… Ou no caso, não lhes deu um propósito, como fez com Meltse. Mas como ele poderia fazer isso? Era ferreiro, um Eisen, não um guerreiro, como os Helten.

Alguém tocava o sino. Não era possível! Mais saqueadores?! Balthazar se levanta e suspira. Pelo menos agora tinham mais gente para defender Hochberg. Se bem que sentia que não seria necessário… Já desconfiava de quem poderia estar chegando.

Antes de sair para ver o que era, ele acorda os três Helten, que estavam agora morando com o ferreiro. Se não podia ensiná-los a serem guerreiros, pelo menos podia botar algum juízo  e coragem neles.

Os jovens não viam muitas opções além de seguir o velho Balthazar. Era sorte eles ainda estarem na vila e manterem seus sobrenomes. Não admitiam, mas agradeciam todos os dias pelo ferreiro se importar com eles.

Era noite ainda. A lua brilhava alto no céu. Alguém descia da torre do sino com pressa.

— Balthazar! — exclama o rapaz, ofegante devido a pressa — Eu vi um grupo grande se aproximando! Eles… têm tochas acesas. Devem ser pelo menos uns cem…

O velho ferreiro acena com a cabeça, dispensando o jovem. Os outros já se aproximavam, querendo informações. Balthazar os instrui a pegarem armas e se posicionarem para uma defesa. Não tinham mais as casas para ajudar nas emboscadas e dar cobertura. Apenas manda alguns com arco para o telhado de sua própria casa. O restante teria de lutar corpo-a-corpo.

Com o alvoroço, o tempo passa ligeiro. Logo os supostos saqueadores estavam à vista: eram novamente sáurios! Todos da vila se encaram, assustados. Balthazar respira fundo, aliviado.

Ao chegarem à distancia de uns cem metros, o grupo de sáurios para. Apenas um continua se aproximando. Vestia uma armadura de placas e portava um machado imponente.

— Quero falar com o líder desta vila! — grita o sáurio, no idioma do Reino.

Balthasar acena para os Helten esperarem onde estavam e vai em direção ao sáurio de machado.

— Este seria eu. — grita de volta o ferreiro, com um sorriso disfarçado no rosto. O sáurio também sorria.

— Preciso falar com você, amigo. — murmura o sáurio quando Balthasar chega até ele.

— E você precisa me explicar umas coisas. — responde o ferreiro.

O sáurio apenas acena com a cabeça, concordando. E assim os dois se aproximam da vila destruída em silêncio. Os outros aldeões pareciam confusos.

Balthasar apenas murmura para um companheiro, falando que os sáurios não estavam ali para saquear e que iria conversar com o líder deles. Pede para que nada seja feito e que todos fiquem a postos. E chama os irmãos Helten para acompanhá-lo.

Todos se afastam com a passagem do sáurio. Estavam assustados e não entendiam o que Balthasar quis dizer com `conversar’. Os Helten os seguem bem atrás, hesitantes. Seguiam em direção à casa de Eisen.

Fechada a porta, o sáurio relaxa. Embora acostumado com olhares hostis e assustados de humanos, estava tenso, com os músculos rijos. Senta com um baque à mesa na sala de Balthasar.

— Nunca vou me acostumar com isso. — suspira o sáurio — Quem são os garotos? — pergunta. Os três irmãos gelam. O que o sáurio queria deles?

— Oh! São os filhos de Clara e Raphael. — responde Balthasar — Acabei negligenciando eles um pouco… Então vejamos se a gente consegue consertar as coisas!

— Hum… Então vocês estão vivos! — exclama o sáurio, abrindo um largo sorriso — A última vez que vi vocês, um ainda era bebê! Joffrey! Aufrey e Pouljoy. Não é? — pergunta para os jovens Helten.

Os três se encaram, surpresos. Aquele sáurio sabia o nome deles? Já os viu antes? Os dois mais jovens encaram o mais velho, Pouljoy, intrigados. Ele tinha cinco anos quando Joffrey era um bebê, mas não lembra de quase nada da infância. Percebendo o olhar confuso dos irmãos, o sáurio murmura:

— Então não se lembram, hein? — sorri melancólico — Melhor assim. Não há muito de bom a se lembrar… O bom é que estão vivos e saudáveis! Venham cá e deixem-me vê-los melhor! Não se preocupem, eu não mordo.

Balthasar rir com o comentário. Estava mais velho, com mais cicatrizes, mas era o mesmo sáurio de antes: Hamur, seu grande amigo.

— Podem ir sem medo — comenta o velho ferreiro — Ele também conheceu seus pais.

Aquilo era informação nova para os Helten. Não sabiam muito sobre os pais. Apenas que morreram quando ainda eram bem pequenos, numa guerra sangrenta entre famílias nobres.

Mais intrigados do que com medo, os três se aproximam do sáurio. Este os encara, sorrindo. Era medonho!

— Ora, ora! Estão muito bem, posso ver. Mas tão mirrados! Não treinam? — pergunta para Balthasar.

— Mais ou menos. — responde o ferreiro, balançando a cabeça — Atirar com arco e flecha até que eles sabem. Mas… não temos cavalos aqui. Pelo menos não do tipo que eles precisam. E mesmo assim, quem iria treiná-los? Eu? — e ri, sentindo-se irresponsável. Mas não veio falar dos Helten, não é verdade?

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