Capítulo 5 – A Casa Grischarr (Parte 1)


Saindo de sua reunião com Diamante e Alexsander, Lamark segue caverna afora, atravessando a cidade. Meltse o segue logo atrás.

O sáurio ia a passo lento, sem pressa. Parecia aliviado. O que não era o caso do ferreiro: inquieto, nervoso, preocupado. Afinal, estava num lugar estranho, com `pessoas’ estranhas. Mas sabia que estes não eram os verdadeiros motivos de sua inquietação.

Naquele passo lento, Meltse teve a chance de observar melhor a tal Fafalar. Fica maravilhado. Era ainda mais bonita de perto. Tudo nela era realmente feito de pedra. As casas, o calçamento, as pontes. Sáurios eram bons pedreiros.

O humano também percebe que ali há i,a grande variedade de sáurios. Não eram todos iguais. Cores diferentes, listras, manchas. Altos, baixos. Adultos e crianças. Felizes, despreocupados. Nisto eram bem diferentes dos que viu nas cavernas de Hochberg. Ali era um lugar seguro.

Algum tempo depois, após passarem por parte da cidade e atravessarem uma ponte, eles chegam até um casarão. Como o resto da cidade, era de pedra, branca, polida. Sem nada dizer, Lamark entra na residência.

Meltse o segue, relutante, e percebe algo inusitado: a casa não tinha porta. Onde esta deveria estar tem apenas uma cortina feita com pedras brilhantes de diferentes cores. Ao passarem por ela, faz-se um barulho suave, parecido com sinos.

Já dentro do casarão, humano e sáurio param no primeiro cômodo. Não era grande. As paredes eram entalhadas e pintadas com o que Meltse supõe ser alguma história do passado dos sáurios: mostrava batalhas e caçadas, numa arte peculiar que o ferreiro nunca viu antes.

Trepadeiras desciam por cada canto do cômodo. Uma fonte de pedra escura jorrava lentamente com água cristalina e bancos em formato arredondado circulavam a mesma. Toda a sala era muito bem iluminada e Meltse não conseguia imaginar como isto era possível.

Mal teve tempo para admirar quando dois pequenos sáurios irrompem da porta a sua frente, na direção de Lamark.

— Irmaozão! Irmaozão! É verdade que derrotou um monstro? Explodiu ele com uma bola enorme de fogo? É verdade? É verdade? Trouxe alguma coisa pra gente? É trouxe, trouxe? — falavam alternadamente os dois pequenos, alvoroçados.

Enquanto isso, Meltse não entendia nada do que se passava, Ali era a casa de Lamark? Aqueles dois eram seus filhos?

O sáurio percebe a confusão no rosto de seu amigo humano.

— São meus irmãos pequenos — explica, com um largo sorriso no rosto escamoso — Somos quatro no total: Eu, Mut, Adra e Aurith. Estes dois pestinhas são Adra e Aurith.  — fala, segurando os pequenos.

— Irmaozão! — ecoa um exclamação feminina vinda da mesma porta por onde vieram os pequenos sáurios. Só que desta vez, no idioma comum. O sotaque era carregado.

Em seguida surge uma sáuria, a dona da voz poderosa de antes. Tinha um enorme sorriso no rosto.

Ainda mais rápida que os pequenos, ela avança até Lamark, deferindo um poderoso soco, fazendo o pobre sáurio desabar no chão. Os dois riram.

— Ai! Eu esperava uma recepção mais amistosa! — ralha Lamark

— Ora! Você mereceu! Fazendo sua irmãzinha sofrer desse jeito! Me disseram que quase  morreu!!! O que seria do clã, seu desmiolado?!

“Irmãzinha? Mas ela é maior que Lamark!”, pensa Meltse.

— Aí você seria a líder do clã! E muito melhor do que eu! — retruca Lamark, se levantando.

— Ora, ora. Não é assim que as coisas funcionam conosco. Não somos os sem pernas. Bem. O que importa é que você está vivo e inteiro! Tinham me falado que estava com um humano. Quem diria! Era verdade! Qual seu nome? — pergunta a sáuria, virando-se para Meltse.

— M-Meltse Eisen. — responde gaguejando, com receio de levar um soco.

O rosto da sáuria se ilumina e num ímpeto dá um abraço bem apertado no ferreiro.

— Mais que coincidência! — exclama a sáuria, olhando nos olhos de Meltse, dando batidinhas em seu ombro — Eu admiro muito seu pai. É filho de Balthazar, não? — e sorri.

Meltse só acena afirmativamente com a cabeça. Seu pai realmente tinha envolvimento com os sáurios? A ideia era tão absurda! Mas fazia um pouco de sentido até… Afinal, muita gente falava que seu pai tinha amigos estranhos. Será que ele escondia mais coisas? Se voltasse vivo para Hochberg descobria. Ainda tinha um longo caminho até poder retornar para casa.

— Bem. Onde está a mamãe? — pergunta Lamark, interrompendo o transe de Meltse.

O sorriso some do rosto da sáuria. Os pequeno correm amuados para as pernas da irmã. Lamark se apruma e fica sério ao perceber a reação da irmã. Meltse não sabe o que está acontecendo, mas desconfia que não seja boa coisa.

— Ela ficou muito doente no inverno passado.. — murmura — Agora é eu quem cuida das crianças… — e sorri, melancólica.

— Entendo… — murmura Lamark. Não era uma boa notícia de receber ao chegar em casa. Enquanto isso, Meltse apenas fica calado, sério; em respeito aos sáurios ali. — Bem. Que Treva e Lumini a guiem por um caminho. — conclui o sáurio.

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