Capítulo 4 – O sacrifício do Maldito (Parte 2 – Final)


“Algo está muito errado”, pensa Ufiel ao sair de seu interrogatório com o duque. A raposa insana estava calma demais…

Apesar de respirar aliviado, aquilo o deixava apreensivo. Grael estava tranquilo demais com a notícia da fuga da loba.

“Tem alguma coisa que estou deixando passar”. Mas o que seria? Perguntaria a Loriel depois. Talvez ela tivesse alguma ideia…

Pelo  menos ninguém morreu, ninguém se machucou, a garota-lobo estava longe e a salvo. E novamente vinha a pergunta: por que Grael estava tão calmo? Era a única coisa sem explicação.

O restante do dia se passa sem que Ufiel seja chamado para receber qualquer ordem. Era incomum de acontecer, mas nada que causasse desconfiança.

O elfo decide tirar aquela noite para refletir, desculpar-se de tudo o que fez em nome de Grael e fazer uma humilde homenagem à todos aqueles rostos inocentes e desesperados que o atormentavam.

Era pouco. Muito pouco. Só que não sabia o que mais poderia fazer. Pensava seriamente em fugir de Fafalar. Para bem longe! Seria bum se Loriel fizesse o mesmo: o duque já desconfiava demais dela.

Ufiel passa um bom tempo com a cabeça cheia de pensamentos. Planos para fuga. Decisões de onde ir e por onde passar. Saber se diria ou não à rainha sobre as ações de seu mestre… O feitiço deixaria ele fazer todas aquelas coisas?

Assim, mal percebe que dias haviam se passado. Nem dormir tinha dormido. Nem seu mestre o tinha chamado. Isto era bizarro. O duque Grael sempre tinha algo para ele fazer! Afinal Ufiel também era responsável pelo funcionamento da Árvore Grande.

O elfo negro decide por conta própria descobrir se algo tinha acontecido. Interrogava outros serviçais subordinados seus. Todos diziam que o duque não tinha saído dos seus aposentos. Nem solicitado refeições. Ou qualquer coisa.

Só o que se sabia é que ele estava lá dentro e não recebia ninguém. Não era uma atitude normal para o seu mestre. E então o fato dele ter ficado tão calmo diante da fuga da loba volta a sua mente. Era como se o duque já tivesse uma solução para o problema…

“E se ele tiver?!”, pensa, assustado, Ufiel. Será que ele tinha saído de Fafalar às escondidas? Não era possível! Alguém com certeza notaria!

Ele decide ir até os aposentos de seu mestre em bisca de respostas. Não tentaria a porta: se Grael estivesse lá, teria nenhuma justificativa para apresentar. Iria por fora, pela janela.

Ainda era dia, e não tinha como utilizar seus poderes, mas ele apenas queria saber se o duque realmente ainda estava em Fafalar.

Assim ele segue subindo por uma árvore próxima. Não precisava esconder suas ações. Todos sabia que ele era o mais importante servo do duque Grael e sempre podia fazer o que bem entendesse que ninguém perguntaria.

Quando não dava mais para ir para cima, ele salta até a Grande Árvore. Mesmo sem seus poderes, era algo simples. Pousa sem problemas e sem fazer barulho.

Lentamente ele se dirige até a janela de seu mestre, fazendo o possível para não fazer ruído. Rapidamente ele chega, nervoso. Não queria que Grael soubesse que ele estava ali.

Ele respira por um tempo, tentando se acalmar e, por fim, espia pela janela.

E lá estava seu mestre. Ufiel respira aliviado: ele estava em Fafalar. Só após passados alguns segundos o elfo negro percebe que algo não estava certo.

Grael ajoelhado no chão, os braços pendendo nos lados. Não estava em seu trono! Parecia morto, mas Ufiel ouvia uma respiração baixa e lenta.

E então ele vê. Um círculo de magia brilhava fantasmagórico bem embaixo de Grael. Ocultos aos olhos distraídos. O elfo negro nunca soube muito sobre magias, mas até para ele aquilo era óbvio: se tratava de magia negra!

“De que tipo?” Não tinha tempo de ir procurar Loriel para responder a sua pergunta. Ele mesmo teria de descobrir o que seu mestre estava fazendo…

Assim, Ufiel observa o duque por mais uns momentos. Este não mexia um músculo. Como se estivesse dormindo ou em transe. Ou como se nem estivesse ali…

Com esforço o elfo negro consegue sentir a energia mágica sair de Grael. Para fora de Fafalar. E além… Pelos deuses! Ele não estava ali! Pelo menos não sua consciência…

Seus pensamentos são interrompidos pela emanação de uma grande quantidade de energia. “O mestre está fazendo algo!” Tinha que fazer alguma coisa!

Sente outro pulso de energia. O inerte Grael sorri, macabro. “Ele encontrou a loba! Mas como? Como?…” O que podia fazer para para seu mestre?

Instintivamente ele coloca a mão na cintura: sua adaga. Era a única solução? Matar seu mestre? E um terceiro pulso emana do duque.

Se esperasse mais, seria muito tarde. Como um raio, Ufiel segue com sua adaga em riste, diretamente para o coração.

A lâmina para. A poucos milímetros de seu alvo. E Ufiel. Estacas brotaram do chão. Atravessavam o elfo negro. Morto. Num instante.

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