Capítulo 4 – O sacrifício do Maldito (Parte 1)


Passado um mês desde a visita de Lionel, outro lobo pisa no território de Fafalar. Não era nada comum: todos sabiam que os homens-lobos tinham desaparecido já há algum tempo. E só o sabiam por causa do próprio Lionel.

E agora havia outro! Ou pelo menos foi isso o que Loriel informou. Era uma garota. Jovem até mesmo para o padrão dos humanos. E claro, Grael já sabia de tudo. Era exatamente isto o que tirava o juízo de Ufiel naquele momento. E outras coisas também.

Desde aquele dia fatídico quando ele decidiu dar ouvidos a Lionel, não conseguia mais dormir. Não sabia o que fazer. Nem quem ele realmente era! Segundo o homem-lobo, Ufiel estava sobe o efeito de algum tipo de maldição que controlava seus atos de maneira sutil.

Um feitiço que não podia ser desfeito. E que já estava lá há um bom tempo… Desde quando? Não dava para saber. Se nem Loriel, que era especialista nesse tipo de magia, não conseguia dizer nada…

“Seria melhor se Grael estivesse usando magia negra”, disse-lhe Lionel no dia. Nem queria imaginar o que poderia ser pior que isso… Talvez saiba, mas prefere ignorar. Era bom para a sanidade. Coisa que o duque não tinha… Disto ele sempre soube.

Era manhã bem cedo. Tinha acabado de sair dos aposentos de seu mestre. Dera uma ordem simples: mate a loba, da forma mais discreta possível.

Não conseguia imaginar o que iria fazer. Só sabia que essa ordem ele não mais obedeceria. Já matou demais em nome do elfo insano. Inclusive alguns lobos…

Se não fizesse nada… O duque daria um jeito de matar a garota. Provavelmente do mesmo jeito que seus rivais desapareceram no passado… Um calafrio percorre sua espinha. Não conseguia acreditar que seu mestre seria capaz de fazer mal aos seus. No entanto, tudo apontava o contrário.

Teria de avisá-la. Fugir de Fafalar o mais rápido possível. Fora da cidade estaria a salvo, longe das garras do duque…

E desta forma iria trair seu mestre… É o certo a fazer, não é? Não sabia dizer. Lionel não parecia estar mentindo. E Loriel concordava.

Se tudo o que foi dito for verdade… Pelos deuses! Quantas atrocidades fizera! Achando que era para o bem de seu povo…

Então Ufiel avista seu `alvo’ caminhando na cidade, juntamente do estranho centauro. Qualquer dúvida que ainda tinha se dissipou ali mesmo.

Era mesmo uma garota, quase uma criança ainda! Conseguia perceber uma estranha aura. Pureza, bondade… Não sabia dizer. Parecia com a de Lionel, só que sem a astúcia de uma criatura que viveu muitas luas. Era uma inocente.

Sim! Avisaria ali mesmo! Não… Alguém poderia ouvir. Teria de levá-la a algum lugar privado. O mais rápido que desse.

Sem perceber ele já estava caminhando ao lado da loba. Bem sabia o nome dela. Grael não se dera ao trabalho de informar. O que fazer agora?

A resposta veio mais rápido que ele imaginava. Todos seguiam em direção a um restaurante de um amigo de Ufiel. Lá seria seguro. E assim o elfo negro aborda a garota-lobo, dizendo-lhe que o seguisse.

Estava feito. A loba foi alertada. Ele não teria problemas com Grael por ainda ser dia. E ela estaria à salvo. Seria bom falar sobre ela para Lionel… Na próxima vez que ele viesse a Fafalar, quem sabe.

Deveria avisar a Loriel sobre o que ele acabou de fazer? Não! A raposa branca é esperta o suficiente para deduzir tudo. Vai inventar alguma desculpa para dizer que não viu a garota partindo.

Já ele não tinha a necessidade de mentir. Só poderia cumprir suas ordens à noite, quando a loba já estaria bem longe. Pela primeira vez acha uma bênção seus poderes só funcionarem à noite.

Furtividade, ilusão, controle de elementos… Ou qualquer outra magia. Ele só conseguia usá-las durante a noite. Em compensação seus efeitos eram poderosos. Diziam que ele era abençoado pelo deus da Noite e da lua, Hazar. Mas também podia ser efeito da maldição…

Aguardou a chegada do dia seguinte com apreensão, mas o coração leve. O duque com certeza o chamaria para fazer algumas perguntas.

A única coisa que preocupava o elfo negro era seu mestre explodir. Haveria morte. O duque teria de se explicar… Seria uma morte estúpida, em vão. Ufiel já tinha assumido esse risco ao contar a loba sobre os planos de Grael.

Com a garganta seca, ele recebe o chamado para comparecer aos aposentos de seu mestre.

Respira fundo. Enfrentaria a fúria da besta com cabeça erguida. A morte seria pouco comparado com o que fez no passado em nome do duque Grael.

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