Capítulo 4 – As Maquinações de um Lobo (Parte 2 – Final)


— Então? O que o cãozinho mais obediente do duque quer nos dizer? — pergunta Loriel, num tom ácido. Odiava Ufiel e seu senhor, embora também o servisse…

O elfo negro ignora o insulto e respira fundo. Encara Lionel por longos segundos. Ele respira fundo mais uma vez e começa a falar:

— Creio que o duque Grael foi enfeitiçado. Lionel, você me perguntou por algo sombrio. Já sabia de tudo, não é?

O lobo não responde. Na verdade não sabia. Era apenas um palpite. Um que rezava para estar errado. Sem uma resposta, Ufiel continua.

— Eu também estava cego de alguma forma… — fala com voz sofrida. Desde o momento que tocou naquela maçaneta, sua mente estava cheia de lembranças de todos aqueles a quem matou em nome de Grael.

O lobo sempre atento, percebe o sofrimento do elfo de pelos negros. Por isso, murmura algo para si mesmo. Loriel o encara. “Isso é algum tipo de magia? A sensação é parecida, mas também muito diferente…”

Logo Ufiel se acalma. Uma paz consigo mesmo, que a décadas não sentia.

— Eu… senti algo muito maligno nos aposentos do duque. Muito mesmo. Nunca senti tanto medo antes…

— Você quer dizer que o duque Grael está mexendo com magia negra ou algo do tipo? — pergunta Loriel, um tanto incrédula. Sabia que o duque elfo era… bem… peculiar, mas nunca imaginaria ele lidando com artes negras.

Enquanto isso, Lionel rezava para que fosse `apenas’ isso mesmo. Seu instinto dizia que a verdade era muito pior…

— Não… Não é isso! Havia algo, alguém com o duque. Eu senti duas presenças na sala. Eu acho… Só pode ser um demônio o que se apossou da alma de meu senhor…
Lionel balança negativamente a cabeça. Os demônios estavam extintos já há milênios. Só um restava… Teve o desprazer de conhecê-lo pessoalmente… E ele não tinha razões para se envolver come elfos… Ou será que tinha?

— Bem. — respira fundo o lobo — Eu sinceramente espero que Loriel esteja certa e você, meu caro colega, errado. Seria melhor para todos…

Ufiel se irrita com aquilo e avança para cima de Lionel com uma grande adaga negra que sempre carregava consigo.

O homem-lobo era novo ainda, mesmo na contagem dos humanos. No entanto, ele já esteve em muitas situações de vida ou morte. E era Lionel! Com movimentos rápidos ele esquiva da adaga, que passa a poucos milímetros de seu pescoço, ao mesmo tempo que agarra um dos braços de Ufiel. Joga por fim o elfo ao chão, imobilizando-o com um dos braços em suas costas.

Ufiel nem viu o que lhe aconteceu. Na verdade nem sabia o que tinha feito. Aparentemente ele tinha tentado matar o lobo… Não reage.

— Bem… — fala Lionel calmamente — Você está certo em parto. Algo está realmente lhe afetando. Agora quem o enfeitiçou eu não sei ainda. Posso soltá-lo?

O elfo acena afirmativamente. O lobo hesita mas o larga.

— Querida Loriel — continua o homem-lobo — Por acaso saberia como curar maldições e quebrar feitiços? Poderia fazê-lo em nosso amigo Ufiel?

— Por que pergunta se já sabe a resposta? — indaga a elfa branca, irritada. Na verdade não queria fazer nada para ajudar Ufiel ou Grael, mas tinha medo do homem-lobo. Afinal se mesmo o poderoso duque evitava confronto… O que ela poderia fazer?

Loriel tira um pedaço de giz do bolso e começa a desenhar um círculo ao redor de Ufiel. Toda magia começava com um.

Com o círculo completo, ela para para pensar. Remover feitiço e curar maldição eram duas coisas diferentes… Teriam de ser dois círculos.

Apressada ela vai desenhando no chão. Primeiro o outro círculo, concêntrico ao primeiro. Depois as palavras élficas. Espera ser o suficiente. E que o duque Grael não percebesse.

— Está feito — murmura, levantando-se. Começa a dançar. Com movimentos leves e precisos, Loriel vai dançando ao redor do elfo negro.

Era essa a magia dos elfos: a dança. Contudo, não era qualquer dança. Era algo muito antigo, de uma época em que humanos sequer existiam e os elfos se comunicavam com movimentos.

Cada passo, cada menor movimento, representava uma ideia, uma palavra. Hoje os elfos usam da fale e da escrita, mas sua magia se mantêm imutável.

Poucos minutos após ter iniciado a dança, Loriel sente-se muito exausta: algo muito poderoso lutava contra sua magia. E mesmo assim, nenhum feitiço e nenhuma maldição parecia ter se quebrado. Estranho… A elfa continua a dançar.

Lionel também percebe algo de errado. E confirma o que ele mais temia: não era um feitiço feito por mortais. De imediato ele dispara em direção à elfa, segurando-a, interrompendo a dança e a magia.

Ambos Loriel e Ufiel caem desmaiados.Um pouco mais e estariam os dois mortos…

Um feitiço maligno, controlador. Muito antigo. Não deveria mais existir. E nem podia ser quebrado. A magia de um demônio. A magia de uma quimera. Kiro!

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