Capítulo 4 – As Maquinações de um Lobo (Parte 1)


Lionel não sabia o que fazer para atrair Grael para uma armadilha, confessar seus crimes. Tinha a certeza de que ele era o responsável pelo desastre na Floresta Branca. No entanto, também sabia que sua desconfiança não podia ser fundamentada… Não tinha provas.

Ele sequer conseguiu convencer Diamante, que sempre o ouvia. Quanto mais a rainha elfa! A questão era: Grael não poderia exatamente sair de Fafalar. A Floresta Branca ficava bem longe… E também ele nem poderia ter feito tudo aquilo sozinho. Era seu instinto contra a palavra de um duque elfo. Nunca ganharia assim.

Bem… Se ele não poderia ter feito tudo sozinho… Talvez seus subordinados? Ou então algo muito mais sinistro… Não… Era melhor nem pensar nessa possibilidade…

Enquanto caminhava para a saída da Grande Árvore, o lobo vê o elfo de pelos negros, serviçal do duque, vindo ao seu encontro. Iria arriscar!

— Posso falar com você por uns instantes? — fala, agarrando o braço do elfo. Este tenta se soltar, sem sucesso.

— Estou com pressa! — retruca rispidamente, fazendo outra tentativa de livrar seu braço das garras do homem-lobo.

— É rápido. — “Ele é bem forte”, pensa o lobo — Por acaso seu senhor alguma fez se reuniu com alguém… estranho?

O elfo hesita. Já tinha visto o duque tendo ataques de fúria sem motivo aparente. Ou falando sozinho em seus aposentos. Seus sentidos diziam que havia alguém junto ao seu senhor, mas nunca viu nada.

— Não. Apenas o senhor. Agora me solte que tenho trabalho a fazer! — o elfo parecia irritado, mas não demonstrava nervosismo.

— Tudo bem. Eu o solto. Se vir algo estranho, ou sombrio, poderia me avisar? — pergunta Lionel, largando o braço do elfo.

— Sim, sim. — responde enquanto caminha para bem longe do lobo. Ele nunca iria falar nada sobre seu mestre!

Lionel percebe que tinha acertado algum nervo do elfo. O coração acelerado e o suor frio. Escondia algo. Coisa que ele próprio não gostava. Talvez ele estivesse certo…

E assim cada um segue o seu caminho: Lionel para casa e Ufiel, o serviçal de Grael, para os aposentos do duque.

“Algo sombrio? O que aquele lobo sabia?…” Seus pensamentos são interrompidos por um sentimento muito forte de medo. Tão forte que sente náuseas e ânsia de vômito. “Sombrio…” A mão segurava a maçaneta da porta de seu mestre. Tinha outra pessoa lá dentro. E o medo estava mais forte que das outras vezes que sentira aquela presença.

Aquilo não era apenas sombrio! Não conseguia definir… Sempre soube daquela presença, não é verdade? Então por que demorou tanto para perceber que aquilo era mal?…

E era bem verdade que o duque já tinha lhe pedido para fazer coisas horríveis… “São inimigos dos elfos”, dizia. E agora se perguntava: Eram mesmo?

Lembra-se dos rostos daqueles que assassinou a mando do duque Grael. Choravam e imploravam… Rostos que não sabiam o porquê daquilo.

Pelos deuses! Teria ele matado tantos inocentes? Mas porque seu mestre ordenaria algo assim? Só poderia ser a influência de algo “sombrio”? Não conseguia tirar as palavras do lobo de sua mente…

Ufiel sente como se um feitiço tivesse se quebrado. Claro… Estava enfeitiçado a achar que as ações de seu senhor eram justificáveis! Talvez o duque também esteja sob o domínio de alguma coisa!!!

Saindo do transe, ele tira a mão da maçaneta e volta com pressa, seguindo o caminho tomado por Lionel. Não acreditava em si mesmo! Iria realmente trair seu mestre daquele jeito?!! Não… Aquilo não poderia ser realmente considerado traição.

“Algo sombrio…”, repetia para si mesmo. Até encontrar o homem-lobo na estalagem, já pronto para partir. Conversava com Loriel. “Melhor assim! Ela também precisa saber.”

O lobo fica surpreso ao vê-lo. Não esperava respostas para logo. Até pensa em começar a conversa de forma jocosa, mas ao ver a cara lívida do elfo negro, ele muda de ideia.

— Deseja falar algo? — pergunta, sério.

— Sim… E com você também, Loriel. Sabe onde podemos conversar longe dos ouvidos do duque?

Lionel arqueia a sobrancelha, desconfiado. O que a estalajadeira tinha a ver com tudo aquilo?

A elfa Loriel, outra que gosta de tirar sarro, sente o medo do companheiro e nada fala, apenas acena afirmativamente com a cabeça. E então, ela pega seu molho de chaves e segue apressada o subsolo e para um dos quartos.

Nervosa, a elfa abre a porta, acenando aos outros dois entrarem rapidamente. Loriel entra por último, trancando a porta atrás de si.

— Aqui deve ser suficientemente seguro para falar.

Lionel não concordava muito e utiliza-se dos próprios meios para garantir que ninguém os ouvisse.

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