Capítulo 3 – Ruínas de Hochberg


Já havia passado uma semana desde o saque a Hochberg. Os seus moradores já tentavam recomeçar tudo. Nada tinha ficado de pé após o ataque: queimaram a vila.

Assim que voltaram para Hochberg, quando achavam que o perigo já havia passado, encontraram algumas coisas inusitadas. Primeiramente, todos os pertences de valor estavam em duas carroças na entrada da vila, intocados tanto pelos saqueadores quanto pelo fogo. Porque se deram ao trabalho de separar as coisas de valor se não iriam levar? Será que Meltse e os outros conseguiram enxotá-los?

Não era o que parecia… Não foram encontrados em lugar algum. Nem vivos. Nem mortos. Teriam sido levados? Ninguém sabia dizer… Enquanto isso todos olhavam com cara de poucos amigos para os três Helten. Eles deveriam ter ajudado Meltse! Ao invés disso, se esconderam junto com os outros moradores! Covardes!

A reconstrução de Hochberg seguiu lenta. E a preocupação de todos só crescia. O que aconteceu com o grupo de defesa? Quando chegariam os caçadores?

A segunda pergunta seria respondida ainda naquele dia. Ao anoitecer, os caçadores chegam ao que já foi a entrada da vila.

A caçada fora excelente. Todos estavam cansados mas satisfeitos. Carregavam carne de sobra para todo o inverno. Poderiam passar os próximos meses apenas descansando: não seria necessário uma caçada de inverno.

Ou era isso o que pensavam os caçadores. No entanto, ao invés de serem recebidos com camas confortáveis, bebidas quentes e teto sobre suas cabeças, encontraram seus vizinhos cansados, abatidos. Sem cama. Sem teto. Só água.

Balthazar Eisen, como líder da vila, se separa do grupo de caçadores, seguindo em direção aos irmãos Helten. Não encontrava seu filho em lugar algum…

— O que houve? — pergunta Balthazar, rispidamente, ao mais velho dos irmãos — Onde está Meltse?

Com medo do velho ferreiro, os três apenas fogem. Sabiam que seriam responsabilizados por tudo. Era melhor correr e esperar as coisas se acalmarem. Ou era isso o que achavam.

— Os covardes se esconderam junto conosco, os que não podiam defender a vila. Abandonaram Meltse enquanto a vila estava sendo saqueada por sáurios! — murmura Ruth, uma senhora de seus sessenta anos, prima de Martha.

Balthazar não acreditava muito nessa de `indefesos’. Na hora da necessidade todos deveriam ajudar. Entretanto esta era uma ideia muito difícil de colocar na cabeça dos outros. Ele pressiona os dedos contra a testa, estressado. Seria uma longa noite…

Teria de falar com os Helten de um jeito ou de outro, eles eram tão responsáveis pela defesa da vila quanto Meltse.

— Onde está Meltse, meu filho? — pergunta.

— Não fazemos ideia. Não encontramos nada quando voltamos. Nem eles vivos, nem seus corpos. Sinto muito, Balthazar. — responde Arthur, pai de Marco.

A situação estava um caos. A vila destruída, seu filho desaparecido. Só acha estranho os sáurios terem feito aquilo. O que ele lembrava, o máximo que faziam era intimidar e extorquir comida e alguns bens… Quem sabe alguma coisa tivesse saído errado? Pelo menos Meltse e os outros estão vivos, prisioneiros dos sáurios. Tinham que estar.

Mais problemas… Mas não era a pior situação possível. Focaria um problema de cada vez. Primeiro reconstruir a vila. Depois os sáurios apareceriam novamente e eles teriam uma conversinha.

— Hoje não descansaremos como o de costume! — grita Balthazar para os outros caçadores — Precisamos de teto sobre nossas cabeças. Só depois descansaremos!

Os outros não receberam as ordens com muita felicidade. Relutantemente eles deixaram toda a carne da caça e foram ajudar seus vizinhos e parentes. Pelo menos já estava tudo tratado e salgado, não iria estragar por ficar ao relento. E quanto mais rápido terminassem, menos teriam de se preocupar com a comida e mais cedo descansariam.

Balthazar não fica para ajudar. Tinha que resolver o problema com os irmãos Helten. O que eles fizeram, ou melhor, não fizeram, era sério. Eles também seriam os únicos que poderiam explicar algumas coisas.

Não foi difícil encontrá-los. Ninguém gostava mais deles depois do ocorrido e prontamente apontavam para onde os três tinham ido. Logo os alcança próximo ao campo de treinamento de combate que Meltse gostava tanto.

Calmamente ele se aproxima. De nada adiantaria perder a calma com aqueles inúteis naquele momento.

— Não se preocupem. — fala, tentando acalmá-los — Se me explicarem o que aconteceu aqui no dia do saque, a punição de vocês será branda. — pausa para respirar — Mas… se continuarem correndo de mim assim, não terei outra opção senão expulsá-los da vila.

As palavras de Balthazar descem como um martelo numa bigorna, implacável. Se fosse expulsos também perderiam seus nomes nobres…

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