Capítulo 3 – Yassa


Vatra não sabia reagir com a notícia que ouviu de Lamark. Eles realmente encontraram o exército de Gaheris? Não queria acreditar nisso! No entanto era bem possível… Já que aquele monstro estava aqui…

Não, não! Henkel!!! Era uma perda horrível para Lamark também… Afinal eles eram quase irmãos. Quase… Precisava falar com Diamante.

Sem conseguir conter as lágrimas, a sáuria corre em direção a biblioteca. Era lá onde Diamante sempre ficava. Sem pensar em mais nada, ela entra entepestiva indo aos aposentos do Mestre Diamante. Entretanto, no meio do caminho ela se depara com alguém que odiava, mas aturava, afinal era mestre de Lamark.

— Se quer falar com Diamante, é melhor esperar — fala calmamente Alexsander, sem tirar os olhos do livro que tinha em mãos.

Vatra queria arrebentar a cara dele, mas se conteve. Não era uma boa ideia.

— Yassa está com ele… — interrompe o que ia dizer, ao perceber que a sáuria chorava — Pelos deuses! O que houve?!

Vatra não responde. Ouve passos vindo da entrada. Com certeza era Lamark.

— Não diga a Lamark que estou aqui! — e corre, escondendo-se entre as estantes, sem dar a Alexsander a chance de resposta.

Enquanto isso, nos aposentos particulares do Gigas Diamante, duas criaturas conversam.

Uma delas era o próprio Diamante, feliz mas preocupado. A outra era Yassa. Também conhecido como um dos protetores da Dama Branca. Outros já o chamavam de A Besta.

De corpo franzino e altura mediana, a principio não parecia muito imponente. O que realmente assustava eram seus olhos, vermelhos. Possuíam uma aura tenebrosa. No momento vestia trajes formais, nas cores preta e vermelha.

Sentado numa cama, de cabeça baixa, seus braços pendiam apoiados nos joelhos. Naquele instante ele parecia ser qualquer coisa, menos um monstro. Diamante estava de pé, de frente para Yassa. Tinha um sorriso calmante no rosto, mas preocupação nas rugas da testa.

Já sabia das notícias: Yassa tinha assassinado a Dama Branca. Estaria ele querendo refúgio? Diamante achava que não. A criatura a sua frente sempre preferiu não envolvê-lo em problemas. A não ser que fosse algo grande demais para ele lidar sozinho.

Tinha muitas perguntas, mas de nada adiantaria pressionar Yassa. Nunca teve uma mente sã. Não poderia arriscar uma crise dele em Flussevir. Porque… Não importa o que ele faça, eu sempre estarei ao seu lado. Nem mesmo se ele matar todos os pequeninos sáurios num acesso de fúria…

Pelo bem ou pelo mal, Diamante decide sentar-se ao lado de Yassa. Não aguentava vê-lo atormentado daquele jeito. Ri mentalmente: Yassa sempre foi uma criatura atormentada…

— Sabe que estou sempre aqui quando precisar, não sabe? — murmura Diamante, com voz serena.

Yassa apenas acena positivamente com a cabeça. Agora que estava ao lado de Diamante, não sabia por onde começar. Já lhe dava muita dor de cabeça tentar se controlar para não ter uma crise. Diamante ficaria muito triste se ele fizesse algo justo ali. Tinha que se acalmar… Para o bem de seu melhor amigo.

Aos poucos conseguia ter pensamentos racionais.

— Eu… Eu tive que matá-la, Diamante! — começa, chorando — Algo… Algo ruim. Muito ruim. Se apossou dela! Algo me dizia que aquilo deveria morrer imediatamente! Então… eu o fiz… E a coisa se apossou de Gaheris. Ele é imortal! Não dá para matá-lo! Eu sei!

Yassa começa a rir doentiamente. Estava perdendo o controle! Diamante segura uma de suas mãos, tentando acalmá-lo. Lembre-se dos velhos tempos, Yassa. Antes de tudo isso ter acontecido.

Na verdade os velhos tempos eram tão horríveis quanto qualquer outro. Mas, só de estar perto dele, sua dor amainava e a calma vinha naturalmente.

Os dois ficaram assim por um bom tempo. Diamante estava muito preocupado com o que tinha ouvido. Yassa podia ser um monstro, mas também tinha um bom faro para o que é genuinamente mal.

Teria de fazer alguma coisa com relação a Gaheris, pelo visto. Seria um inimigo ruim de lidar. Alexsander com certeza saberia de alguma coisa!

— Pequenino Yassa. — fala Diamante, um pouco inseguro — Devo deixá-lo aqui por um momento. Preciso falar com Alexsander. Ele deve saber como resolver esse problema em específico.

Yassa rosna ao ouvir o nome. Mas não tinha escolha, se alguém podia fazer algo em relação a Gaheris era o maldito Alexsander!

E assim lentamente Diamante se levanta. Se pudesse, nunca sairia dali. No entanto tinha outras responsabilidades. Sentia algo muito perigoso chegando, devagarinho, oculto de todos.

Ele se dirige até a porta, não sem antes dar uma última olhada para trás. Não havia problemas. Yassa parecia bem, apesar de tudo.

Abre a porta e dá de cara com Alexsander encostado na parede a frente, nitidamente impaciente.

— O jovem Lamark está aqui e quer falar com o senhor. — fala Alexsander, com poucos modos — E creio que não sejam boas notícias.

Diamante suspira: hoje não é um dia de boas notícias.

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