Capítulo 3 – Diamante


Tanto tempo já tinha passado que Meltse estava com dores nas pernas quando Alexsander finalmente volta, com uma bandeja na mão e acompanhado de outra pessoa: outro humano, um idoso, quase tão alto quanto Meltse, de olhar sereno mas também estranhamente selvagem. Tinha o ar de alguém que já passou por muita coisa na vida.

Lamark imediatamente fecha e guarda o livro e se dirige aos dois que chegaram, cumprimentando-os com uma vênia. Meltse trava, sem jeito, não sabia como agir…

— Não precisa ficar nervoso, pequenino. — fala o idoso para Meltse — Eu não mordo! — e sorri. Lamark e Alexsander seguram uma gargalhada, como se aquilo fosse alguma piada, deixando Meltse mais nervoso — Meu nome é Diamante. Como se chama?

— Me… Meltse Eisen, filho de Balthazar Eisen. — responde, gaguejando.

— Que coincidência! Filho de Balthazar! Muito interessante mesmo! — essa reação ao nome do pai de Meltse já estava ficando muito, muito suspeita. Se ele voltasse vivo para Hochberg teria de fazer algumas perguntas ao pai… — Mas vamos ao que é importante. Meu caro amigo Alexsander me disse que vocês tem algo importante para dizer. Suponho que será uma conversa bem longa! Porque não sentamos? Devem estar cansados da viagem. — conclui Diamante, imediatamente se sentando em uma poltrona próxima.

O lugar onde estavam tinha uma mesa pequena, com quatro poltronas, duas simples e duas com dois lugares. Eram móveis simples, mas confortáveis e bem trabalhados.

Lamark se senta noutra em seguida. Havia dois lugares, logo Meltse o copia, sentando-se ao lado do sáurio, aliviado.

Alexsander se senta por último, colocando a bandeja numa mesa logo a frente de Lamark. E nela havia um bule com alguma bebida quente que Meltse não consegue reconhecer, quatro xícaras e uma variedade de pães, bolinhos e biscoitos. Pareciam saborosos.

Nem Alexsander nem Diamante falam mais nada. Apenas aguardavam um dos dois jovens começar a falar, enquanto observavam o arco de Meltse com curiosidade.

— Bem… — começa finalmente Lamark — Mestre Diamante, mestre Alexsander. Infelizmente eu não tenho coisas boas para contar hoje…

E assim, Lamark explica tudo o que aconteceu. Desde o saque de Hochberg até o ataque do exército de Gaheris. Enquanto isso Meltse concorda com quase tudo e faz algumas correções pontuais.

Ambos ouvem tudo com atenção. Quando Lamark cita o nome de Gaheris, Diamante e Alexsander se entreolham, preocupados.

— Me deixa muito triste ouvir isso. — comenta Diamante — Mas eu devo dizer uma coisa: vocês dois são afortunados. Sobreviveram ao exército de Gaheris. Não é qualquer um que consegue este feito. E seus companheiros são verdadeiros heróis! Serão lembrados até o fim dos dias.

— O… Obrigado… — murmura Lamark, com uma lágrima no olho. Para Meltse, aquilo não significava tanta coisa\…

— Com isso que nos disse, vamos ter que pensar em algumas coisas… — comenta Alexsander.

— Isso não faz diferença pra mim. — interrompe Meltse — O que me importa é encontrar esse Gaheris e matá-lo! Nada além da vingança irá limpar meu nome.

Alexsander explode em gargalhada, deixando Meltse muito zangado. Já Lamark esperava exatamente essa reação de seu mestre.

— Há anos eu tento matar Gaheris sem sucesso! — fala Alexsander, ainda rindo — E eu nem sou o único!!! Você vai precisar de um verdadeiro milagre para conseguir seu objetivo! Se bem que…

— Só esse arco seu já é um milagre por si só. — completa Diamante.

Sáurio e humano ficam surpresos. Eles tinham noção de que aquele arco tinha saído melhor do que o imaginado, mas um milagre?

— Posso dar uma olhada nele? — pergunta Diamante, estendendo a mão para Meltse, que entrega, relutante.

Alexsander e Diamante inspecionam o arco com curiosidade. Para eles aquela arma era uma verdadeira incógnita. Sequer deveria existir. Mas ali estava, em suas mãos. Diamante devolve-o para Meltse.

— Bem… Onde vocês encontraram esse arco? — pergunta, por fim, Diamante.

— Na verdade… Foi eu quem o fez. — responde Meltse.

— E eu coloquei alguns encantamentos nele. — conclui Lamark — Não sei bem o porquê, mas os encantamentos saíram ligeiramente diferentes. E mais fortes.

Alexsander e Diamante se entreolham, impressionados. Achavam ser impossível uma arma daquelas ser feita por mãos mortais…

— Talvez seja possível. — murmura Alexsander para Diamante, que apenas acena afirmativamente. Enquanto isso, Lamark e Meltse estavam confusos, sem nada entender.

— Lamark… Você não está pensando em seguir Meltse, está? — pergunta Diamante, já sabendo qual seria a resposta.

— Eu fiz uma promessa… Então sim, eu vou ajudar Meltse nessa vingança, mesmo sabendo que é praticamente suicídio. — responde calmamente o sáurio.

— Bem… Talvez possamos incluí-los nos nossos planos futuros. — fala por fim Diamante, sorrindo — Por hoje podem ir descansar, já que o dia de vocês já foi longo demais. Outro dia conversamos mais. Vão pequeninos, com a bênção de Regigleph.

Aquilo era a deixa para ambos, humano e sáurio se retirarem. Lamark se levanta, obediente, e segue para a saída. Mas não sem antes cumprimentar ambos os mestres. Meltse segue logo atrás, atrapalhado.

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