Capítulo 3 – Vingadora Majestosa (Parte 1)


A noite cai. Nem sáurio nem humano dizem uma palavra. Na verdade nenhum dos dois queria falar nada. Mas precisavam sair dali o quanto antes. E juntos seria muito mais fácil.

Vendo que o humano não iria tomar nenhuma iniciativa, Lamark decide ser o primeiro a falar:

— Bem… — começa, sem saber ao certo o que falar — Não podemos ficar aqui por muito mais tempo. Precisamos chegar em Flussevir o mais breve possível. — Lamark não estava gostando daquilo… soava muito duro e ríspido. Meltse apenas vira o rosto na direção do sáurio, mas nada diz.

— Hum… Meu nome é Lamark Grischarr, filho de Hamur Grischarr e… blá, blá, blá. Não importa. Precisamos nos ajudar agora. Seria uma boa coisa se nós soubéssemos  nossos nomes.

— Eu sou Meltse Eisen, filho de Balthazar Eisen. — responde Meltse, sem muita vontade de conversa.

— Eisen? Meu pai vive dizendo que deve a vida a um Eisen… — comenta Lamark.

“De novo isso? Será que esses sáurios estão realmente falando do meu pai?”

— Mas acho que isso não importa agora… Teremos que passar a noite aqui. É mais seguro que perambular por aí sem saber exatamente para onde se está indo. Precisamos arrumar comida, já que… os nossos suprimentos ficaram para trás. — Um silêncio excruciante se segue. Nenhum dos dois queria lembrar do que aconteceu. — Você sabe caçar? — pergunta Lamark subitamente.

— Sim, claro que sei! — explode Meltse, surpreso — Você não sabe?

— Não… Não sei. Sou um completo inútil. Nem para caçar eu sirvo. Também sou um guerreiro medíocre. — e ri de si mesmo e da sua própria inutilidade.

— Quê? — exclama, arqueando uma sobrancelha — Só falta dizer que é um estudioso! Seria ridículo! — fala jocosamente.

— Pior! Sou um mago! E meu mestre diz que sou muito bom nisso! — e começa a gargalhar.

Meltse acha a ideia tão surreal que começa a rir junto com o sáurio. Um mago?! Achava que esse tipo de coisa era só história, lenda. E um sáurio mago? Era piada!

— Tem um problema. — fala Meltse, ainda rindo — Preciso de um arco. Você não teria um, não é?

— Não… — responde Lamark, subitamente melancólico. Lembra de Zach. Era o único caçador do grupo. E o único com um arco…

— Eu posso fazer um… — fala, mais para si mesmo, se levantando. Meltse então começa a procurar ao redor.

Precisaria de um longo e esguio galho de árvore, o mais reto possível. Não ficaria bom, mas para um dia seria o suficiente… Seria muita sorte achar material adequado num lugar tão pequeno. Como o sáurio tinha dito, não era seguro andar por aí pela floresta. Pelo menos durante a noite.

Subitamente ele sente uma paz muito grande. O vento sussurrava aos seus ouvidos… Parecia falar com Meltse. “Aqui… Aqui…”

O ferreiro segue então o súbito impulso de seguir aquela `voz’. E assim encontra um galho de forma praticamente perfeita! Com um pouco de trabalho, talvez aquilo resultasse num bom arco simples para toda uma vida…

Enquanto isso, Lamark apenas observa o humano, intrigado. Estava curioso para saber o que Meltse faria.

— Vou precisar de sua faca. — fala o ferreiro, sem realmente dar muita atenção ao sáurio.

Lamark hesita por um momento, mas entrega. Afinal, ele tinha outros meios de se defender.

Meltse pega a faca. Estava tão absorto que esquece completamente de tudo e de todos. Só o que ele via era o arco que aquele galho poderia se tornar. Era magnifico!

Começa assim a talhar aquele simples pedaço de madeira. Calma e precisamente vai moldando o galho bruto, lentamente dando-lhe a forma de um arco simples. E muito bem feito.

Ele sente uma inspiração que nunca havia sentido antes. Era como se aquele simples pedaço de árvore o estivesse desafiando a fazer o seu melhor.

E Meltse não consegue resistir ao impulso! Tinha esquecido completamente que aquele arco não era importante, uma ferramenta para um dia somente…

Não… Tinha que ser uma obra-prima! Sua concentração estava no ápice! Nada mais existia além da faca numa mão e o arco na outra.

Meltse faz o último entalhe. O transe se esvai. Os sons da floresta voltam a ressoar em seus ouvidos. Ele olha ao redor. Finalmente se lembra de onde estava e o que aconteceu…

Olha para o arco. Não acreditava no que estava vendo! Era perfeito!!! E de uma simplicidade sem igual.

— Uau… Você fez um ótimo trabalho! Esse arco parece muito bom! — exclama Lamark.

— Mas não temos corda… — constata o ferreiro, frustrado.

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