Capítulo 2 – Raposas e Demônios


O duque de Fafalar pouco teve tempo de se recuperar de um encontro estressante quando outra pessoa ainda mais odiosa, embora aliada, aparece. Era o demônio de fogo Kiro.

Uma criatura maligna e insana, cujas lendas diziam ser tão antiga quanto a própria terra. De pele pétrea avermelhada e chifres, parecia uma versão hedionda de um elfo das montanhas.

Grael sabia que aquele monstro detinha poder mais que suficiente para destruir qualquer coisa que quisesse. No entanto, vinha de tempos em tempos pedir para aquele elfo da selva que fizesse algum serviço escuso ou outro..

Kiro aparentemente também tinha problemas com os homens-lobo, por isso o duque o tolerava. Mas aquele era um momento muito ruim…

— O que quer? — pergunta Grael, com os dedos na testa, tentando aplacar uma dor de cabeça brutal. Sempre a sentia quando estava estressado. E quando Kiro estava por perto…

— Ah! Só vi fazer uma visita a um amigo. — responde o demônio, rindo doentiamente, como uma hiena.

O elfo o encara, incrédulo. Ele não viria por algo tão trivial. Respira fundo enquanto observa o braço inexistente da criatura. Nunca se acostumaria com aquilo e sempre se perguntava como Kiro perdeu aquele braço. O quê o arrancou…

— Eu sei que não veio aqui só para ver se estou bem. — murmura.

Kiro ri novamente. Gostava daquele elfo. Ganancioso e inescrupuloso. Um bom peão… Não como ele mesmo, que já levantou a mão inúmeras vezes para seu criador…

— Bem… Por enquanto não preciso que faça nada! — comenta — Só quero dizer que tem coisas começando a se mover. E que talvez a próxima visita não seja mais Lionel. — e explode novamente em sua risada insana.

Grael levanta-se abruptamente ao ouvir o nome de Lionel. Não estava gostando nenhum pouco do rumo daquela conversa:

— Como sabe de meus problemas com o lobo do outro continente?!

— Ora! Como não saberia? Afinal fui eu quem te pediu “para ter problemas” com Lionel. Além do mais, sou um peão muito mais informado que você!

— Peão?!! — explode o elfo — Ninguém me controla! Não sou peão coisa nenhuma! Tudo o que fiz foi por vontade minha! Você pode até ter me pedido para fazer aquilo, mas eu iria fazê-lo mesmo se você não tivesse aparecido! — Grael odiava qualquer menção de que pudesse ser controlado de alguma forma! Afinal, era um elfo, uma criatura livre e selvagem. Indomável! Kiro apenas dá de ombros.

— Se prefere pensar assim… Mas meu serviço aqui está terminado. Espero também que tome mais cuidado quanto ao incidente da Floresta Branca. — fala o demônio, num raro episódio de sanidade — Seria muito ruim se alguém além de Lionel descobrir tudo. Até porque seu trabalho foi tão bem feito que ainda tem lobos brancos perambulando por aí.

O demônio simplesmente some após terminar sua fala deixando para trás um Grael lívido.

“Não pode ser! Eu tenho certeza que… Se for verdade, estou com problemas sérios… Será que aqueles malditos deixaram alguém para trás? Não… Por que fariam isso se confiavam nos elfos de Fafalar?”

— Estranho…

Grael passa um bom tempo ruminando… Pensando em como poderia ter deixado algum lobo escapar. Tinha uma boa lembrança daquele dia. Era como se tudo tivesse ocorrido ontem…

Boas memórias. Triunfante sobre aqueles mesquinhos usurpadores de terra! Foi um bom dia. Não, ele não tinha deixado nenhum escapar. Ele investigou os movimentos de todos os lobos desde a distante e quente Floresta Branca até o norte frio de Fafalar.

Sabia de cada passo de cada um dos malditos…

“Ah… Agora eu me lembro! Teve um grupo que passou um tempo suspeitosamente longo num templo. Hum… Mas eu tenho certeza que o grupo inteiro que entrou foi o mesmo que saiu. Ninguém ficou para trás…”

— Senhor? — tão absorto estava o duque que não percebe a volta de seu serviçal. Seria possível o dia já ter se passado? Aparentemente sim: ali estava seu café da manhã.

— Trouxe-lhe a refeição matinal, senhor. — fala o elfo de pelos escuros. Achava estranha a atitude de seu mestre: passar o dia e a noite em seu trono, sem se retirar para dormir?

Mas nada comenta. O duque parecia de mal humor. Já tinha ouvido falar que ele poderia subitamente se tornar muito selvagem e perigoso. Considerando o que ele já tinha lhe pedido para fazer…

Era melhor ele não saber de nada mesmo… Quanto menos se envolvesse melhor. E se retira, deixando o duque Grael novamente sozinho com seus pensamentos.

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