Capítulo 2 – Raposas e Lobos


A cerca de um mês atrás, no topo da Grande Árvore de Fafalar, acontecia um encontro entre duas criaturas que se odiavam…

— Senhor! Sir Lionel solicita uma audiência.

“Não acredito que ele está de novo aqui?”, pensa Grael. “Não se cansa, esse Lobo?!”

— Pode deixá-lo entrar…  — responde o duque, com voz enfadada.

O serviçal, o elfo de pelos escuros, imediatamente sai, para não mais ser visto naquele dia. Minutos depois entra na sala do duque o seu maior desgosto: o homem-lobo Lionel. Ele cumprimenta o duque com uma vênia e aguarda.

Grael estava sentado em seu trono. Observava aquele a sua frente. Tinha uma das mãos a apoiar a cabeça. Um misto de ódio e desdém era notável em seu olhar. Lionel parece tranquilo, já estava acostumado com o mau humor do duque.

— Então? O que quer desta vez? — pergunta rispidamente Grael.

— O mesmo de sempre, caro Grael. — responde Lionel, soando o mais educado possível, por saber o quanto isso irritava a pessoa a sua frente — O que houve na Floresta Branca?

— E pela milésima vez: como vou saber? Não piso lá a séculos! — diz Grael, irritado e nervoso.

Lionel não continua a falar logo em seguida. Não tinha pressa. Deixa o silêncio assentar na sala, como uma bigorna. E Grael vai ficando mais e mais irritado.

— Bem…— Lionel quebra o silêncio — Eu gostaria realmente que estivesse falando a verdade, meu caro. — e sorri para o duque. Sorriso cujo qual continha muita sabedoria. E uma pitada de ameaça.

O elfo não gosta nem um pouco daquilo. Queria poder simplesmente matar aquele rosto jovem e cheio de artimanhas. Não… Era justamente o que o maldito lobo queria… Sua morte só traria problemas maiores e logo apareceria outro ´Lionel’ para continuar seu trabalho.

— No entanto, — continua o homem-lobo — eu acho muito `interessante’ que minhas investigações sempre acabem às portas de `sua floresta’. Como pode o Duque de Fafalar não saber que um punhado de lobos da Floresta Branca vieram todo o caminho até aqui pedir abrigo e socorro?

Grael sente a acusação pesar em suas costas. Mas aquele pequeno lobo enxerido não tinha nada que provasse algo contra o duque. Sem provas só o que ele podia fazer era ser irritante, com aquele sorriso sabichão e sua língua ferina. Como uma certa elfa…

Não… Ele não poderia comprar uma briga com todo o povo élfico por causa de uma mera suspeita. Que nem verdade poderia ser!

Por fim, duque Grael se levanta de seu trono, com toda autoridade que possui legitimamente, impõe-se:

— Não vou aceitar calado tal calúnia! Como ousa vir aqui me acusar de matar seus lobos?! Sei que não gosta de mim, tanto quanto não gosto de você! Mas isto é um absurdo!!!

— Eu não falei nada sobre assassinato… — responde calmamente Lionel, sorrindo como se tivesse ganhado aquele embate — Se a carapuça serve… quem sou eu para negar?

Ao terminar de falar, Lionel faz novamente uma vênia e se retira, sem esperar a reação do elfo.

Grael senta-se abruptamente em sua cadeira, sem saber se tinha ou não caído num jogo de palavras. Ou se o maldito lobo estava apenas praticando sua arte irritar elfos.

O duque ainda passaria muito tempo remoendo as memórias daquela audiência…

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