Capítulo 2 – O Auspício da Floresta (Parte 3)


Seire estava perplexa com o que via a sua frente. Uma cidade inteira em cima de árvores! Não sabia o que era mais impressionante, se as árvores em si, ou suas cores surreais…

Seu olfato apurado destacava um aroma agradável, peculiar. Não conseguia discernir exatamente o que era: um aroma único daquele lugar. Era calmo, aconchegante e… selvagem? Sim… Havia um quê excitante e assustador também.

Todos caminhavam lentamente, observando os arredores. Raffleia e Arth pareciam pouco afetados pela beleza e peculiaridade do lugar. Enquanto Hafix se perguntava como aquilo tudo era possível. Seire já sabia muito bem: era a magia dos elfos. Fafalar era uma cidade élfica!

Na verdade, Seire nunca chegou a ver um elfo na vida, mas havia muitos livros descrevendo sua cultura e costumes. Sempre retratados como belos, exóticos e selvagens. Dizem também que a magia corre naturalmente em suas veias e tudo o que tocam se torna mágico.

Observando a cidade mais de perto, Seire conclui que os livros estavam certos.

Logo o grupo chega à maior árvore do lugar, tão grande que poderia ser muito bem passar por um castelo. Até aquele momento, não tinham avistado nenhum elfo…

Raffleia desmonta e amarra seu Silf numa coxeira próxima, onde também havia alguns cavalos esguios, tranquilos, comendo.

— Vamos? — fala Raffleia, apontando para uma enorme porta na árvore.

Todos a acompanham. Arth indiferente como sempre; Seire ansiosa para ver elfos pela primeira vez; e Hafix confuso e curioso por saber como aquela cidade foi “construida”.

Ao entrarem na grande árvore, eles se deparam com uma inusitada taverna: cheia de humanos, todos gente do Norte, com suas barbas grandes e mantos de pele de urso. Apenas o atendente era elfo… Finalmente!

Era mais baixo que Seire havia imaginado. Devia ter pouco mais de um metro e meio de altura. As tão faladas orelhas eram pontudas, muito longas, como as de uma raposa. O rosto era angular e o corpo esguio. Tinha uma fina pelugem branca cobrindo todo o corpo… Uma mulher.

Hafix fica assustado com tanta gente mal encarada ali dentro. Estava pensando em sair imediatamente de lá. Até ver a elfa. Fica mesmerizado. Não sabia que aquele tipo de criatura existia. Um elfo!!! Se eles existem mesmo, isso significa que a magia que ele tanto negava também poderia muito bem ser real…

Raffleia avança com segurança, sem sentir nenhum incomodo com os selvagens nortistas,  chegando até a elfa:

— Bom dia, Loriel. Como estão os dias de hoje?

— Não  muito bons pelo que ouvi falar. Tem pouca caça e cada vez mais humanos vêm até nós a procura de um pouco de comida em nossa floresta. Horrível!

— Hum hum… Isso é ruim… Já que trouxe mais quatro estômagos famintos para alimentar.

— Não se preocupe. Quatro pessoas a mais ou a menos não vão fazer diferença diante da quantidade de gente que já temos. O problema é que só podemos oferecer uma sopa e um pedaço de pão por dia. Nada mais!

Raffleia se vira para os outros, aguardando suas reações. Arth apenas dá de ombros, pouco importava para ele. Já Hafix, cansado e faminto, tinha a certeza de que só aquilo não seria o suficiente: permanece calado, por medo. Seire fica irritada. Muito irritada. Aquilo era um absurdo! Ela encara a elfa, inconformada. Loriel apenas sorri, como uma raposa matreira.

— Foi o que imaginei. — fala a elfa, mantendo o sorriso no rosto — Infelizmente nada posso fazer quanto a isso. São ordens de cima.

— Hum hum… Falta só tu dizeres que não há mais quartos também. — comenta Raffleia, suspirando.

— Ah. Claro que temos quartos! Na verdade quarto. Não temos mais os individuais disponíveis. Apenas os de seis camas. — Loriel para de falar por um momento, havia um problema. Ela coloca a mão no queixo e começa a analisar Seire.

“Mas quê?… Algum problema comigo?”, pensa Seire.

— Terão que pagar pelo quarto todo! — exclama — Ninguém aqui iria querer dividir um quarto com ela — conclui, apontando para Seire.

— Você tem algum problema comigo? — extravasa Seire, mais alto do que queria, chamando a atenção de todos ao redor. Desconfortável.

— Calma, calma! — fala a elfa, levantando as mãos, mas com tom de voz jocoso — Eu não tenho problemas com você. Mas o duque Grael não vai ficar nem um pouco feliz. Entenda. Ele odeia homens-lobo. Já não basta Lionel aparecendo aqui mês passado de surpresa, fazendo perguntas desagradáveis?

“Quê?!! Como ela sabe? E quem é Lionel?!”

Raffleia e Arth olha para Seire surpresos. Hafix já sabia e não entendia as caras embasbacadas dos dois monstros. Afinal, eles não andavam juntos?

A sáuria pisca três vezes, como se saindo de um transe. Era aquilo que a jovem senhorita queria dizer com `monstro’? Lobisomens não eram as criaturas mais sagradas que caminhavam pelo mundo? Como ela não sabia disso? Por que ela estava tão longe das torres sagradas? Com perguntas demais e nenhuma resposta, Raffleia decide por fim abrir a boca:

— É verdade o que ela diz, senhorita Seire?

— Sim — responde, insegura. Não sabia que aquela criatura teria uma reação tão surpresa…

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