Capítulo 1 – A Caminho do Paraíso (Parte 4 – Final)


Meltse não conseguia entender o que aconteceu. Estava em estado de choque, sem querer acreditar em tudo o que tinha presenciado… Tudo parecera tão tranquilo… Até a chegada daquele fatídico momento…

Desde o momento em que tinham saído da caverna só pensava em fugir. Ficou quieto o tempo todo, a espera de uma oportunidade surgir. Pensou até mesmo em testar a resistência da gaiola quando não tivesse ninguém olhando, coisa que não aconteceu.

Até pensou, talvez Zepelli tivesse razão e eles nunca conseguiriam sair dali sem que fosse da vontade dos sáurios… Entretanto, não queria pensar assim. Tinham que escapar! Embora os sáurios não fossem os monstros que contavam nas histórias.

O primeiro dia da viagem tinha sido tão calmo e tranquilo… Aquilo deve ser um sonho, só pode! Um pesadelo… Talvez o dia nem tivesse amanhecido ainda e ainda estivessem dormindo naquela clareira na floresta… Quem dera.

Meltse lembra bem de como o dia começou. Todos acordaram bem cedo, se prepararam para partir e finalmente sair da floresta e pegar a estrada. Por que haveria uma estrada ali? Ele sempre soube dela, mas nunca teve interesse de saber aonde ela ia dar. Achava que descobriria naquele dia…

Os sáurios não gostavam de estar na estrada por motivos óbvios: patrulhas. Mesmo naqueles confins do mundo poderia existir alguma. Era a última esperança de Meltse. Ainda tinha pensamentos felizes de escapar e voltar para Hochberg com grandes histórias para contar…

Mas nada aconteceu. Ninguém apareceu. A manhã passou tranquila e quente. Sáurios apreensivos e desconfiados. Humanos esperançosos mas quietos. Martha pareceu-lhe quieta demais, seu rosto estava assustado, como se tivesse visto um fantasma. Meltse não dá muita importância na hora.

Resignou-se então. Esperaria os sáurios decidissem se iriam libertá-los ou não… Estavam perto demais da tal capital sáuria para fazer alguma coisa. Até que algo pareceu mudar na rotina. Um dos sáurios ficou muito nervoso e começou uma verdadeira movimentação no comboio. Aparentemente tinham companhia na estrada. “Quem sejam patrulheiros!!!”.

E o raio da esperança brilhou com a chegada de um estandarte desconhecido. Um batedor, não pertencente a uma pequena patrulha, mas sim a um exército, já que possuía bons equipamentos e um estandarte. Não conseguia reconhecer aquele símbolo, no entanto… O líder sáurio pareceu se desesperar ao vê-lo: era como se tivesse visto um demônio que trazia a foice da morte.

Os outros se comportaram ainda mais estranhamente: ficaram parados, preparados para a chegada de um grande exército. E para a morte? Por que não fugiam? Eles não achavam que realmente poderiam derrotar um exército, achavam? Não… Não achavam, mas Meltse não sabia o que os outros sáurios pensavam naquele momento. O batedor partiu.

Ele já não os odiava tanto a ponto de desejar-lhes a morte, mas também não queria continuar prisioneiro. Estava pensando quando foi interrompido por um galope vindo do outro lado da estrada: da direção na qual o comboio originalmente seguia. Os sáurios estavam encurralados!

Todos dentro da gaiola, inclusive Meltse, ficaram muito felizes, estariam finalmente livres!!! Mas não era a liberdade que esperavam… Não mesmo. Meltse pisca, sem saber o que era real, o que era sonho e o que era lembrança…

Um único sáurio fugiu. E retornou. Apenas para abrir a gaiola e puxar Meltse, naquele momento confuso, de lá de dentro. Lembra-se de se sentir subitamente nauseado. Sua visão turvou-se. Então ele ouviu um golpe de espada ao seu lado. E gritos atrás de si. “Tem algo muito errado”, pensou. Só os deuses sabiam o quanto ele estava certo naquela afirmação.

Meltse se virou na hora para ver o que houve. Um dos sáurios, Henkel, defendera um golpe que ia certeiro e mortal em direção ao seu líder. A espada tinha atravessado o escudo, rasgando metade do braço do sáurio. Mas o grito veio da gaiola: dois soldados espetavam indiscriminadamente os prisioneiros!

Aquilo atingiu Meltse como uma grande pedra: todos estavam sendo assassinados! Não! Não era possível! Só podia ser um sonho! Qualquer coisa menos aquilo!!!

A náusea só piorava. Achava estar delirado. Tinha que estar delirando! Via olhos negros… e um sorriso sinistro no rosto dos soldados. Estavam se divertindo com a matança. A cabeça gira e Meltse desmaia. Mas não sem antes ver pessoas conhecidas e amadas sendo brutalmente retalhadas…

“Só pode ser um pesadelo”.

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