Capítulo 1 – A Caminho do Paraíso (Parte 2)


Os humanos estavam muito desconfiados. No entanto nada podiam fazer além de esperar e desejar para que não acontecesse nada de ruim. Apenas Martha parecia se divertir com aquela situação toda.

Shaha finalmente chega próximo à carroça. Então desmonta calmamente e começa a fuçar em seus alforjes a procura de alguma coisa. Os outros sáurios se aproximam também, já que para eles aquilo era sempre um evento interessante. Enquanto isso, os humanos apenas observam, num misto de medo e curiosidade.

Shaha finalmente encontra o que queria: uma miríade de ervas. Algumas Marco consegue reconhecer de imediatamente: se tratavam de ervas medicinais. Outras no entanto nunca tinha visto na vida.

O sáurio mudo então prepara uma pequena fogueira de frente para a carroça. Assim que o fogo começa a ficar forte ele vai jogando uma a uma cada erva que havia separado, liberando uma fumaça cheirosa e calmante. Todos notam também que ele parece murmurar. Seus lábios mexiam, num recital silencioso e solene.

A fumaça lentamente começa a se mover de forma estranha, como se seguisse o som de alguma música. Não seguia com o vento, mas circulava, em espiral, ao redor de todos. Os sáurios prontamente inspiram fundo, aproveitando o máximo possível do aroma, enquanto humanos tentavam sem sucesso se esquivar da mesma.

Eles nunca tinham visto nada como aquilo antes. Era totalmente impossível! Sequer podia-se dizer que o efeito era causado pela falta de vento, porque estava ventando muito! Surreal…

Por fim, todos, humanos e sáurios, começam a se sentir muito bem. Estresses se vão, dores desaparecem, preocupações se esvaem… E o que resta dos ferimentos de Marco, Colodi e Ralph lentamente desaparece.

Meltse e os outros piscam, desnorteados. O que estava acontecendo ali fugia de qualquer coisa que pudessem imaginar. Feridas não fecham daquele jeito, nem a fadiga se vai repentinamente. Era inimaginável, sobrenatural!

Lara apenas sorri, satisfeita, enquanto Shaha, cansado, volta para sua montaria. Lamark apenas balança negativamente a cabeça: concordava com o sáurio mudo quanto a necessidade daquilo tudo. Mas demoraria muito mais convencer Lara de alguma coisa que deixá-la fazer como quer.

O comboio então volta a se mexer em direção ao seu destino. Os humanos se sentiam bem melhor, como se tivessem dormido o dia inteiro em camas confortáveis e devorado um banquete ao acordar. Era tão estranho quanto a força que os tinham jogado ao chão durante o saque…

Já era noite quando param novamente, para descansar e comer. Os sáurios fazem uma pequena fogueira para assar carne seca que levavam como suprimento.

Um dos sáurios, Asgasch, tira várias canecas de seu alforje e entrega um para cada pessoa, sáurios e humanos, para logo em seguida outro, de nome Rith, separar dois cantis grandes e despejar seu conteúdo nas canecas. Tratava-se de sidra. E muito boa por sinal. E assim todos matam suas sedes, satisfeitos.

Com o tempo, os humanos começam a ficar menos desconfiados e amedrontados com os sáurios. Era tão notável que aquelas criaturas não queriam seu mal que até mesmo os mais arredios, como Rachel e Zepelli, estavam perdendo parte do ódio que sentiam.

Entretanto, esses pensamentos ficaram apenas dentro das próprias cabeças, com todos achando que os outros ainda sentiam raiva dos sáurios. Ninguém dos humanos tinha coragem para falar qualquer coisa, principalmente sabendo que os sáurios os entendiam muito bem.

Os devaneios são interrompidos. A carne já estava assada e era distribuída pelo líder do comboio, juntamente de pão preto e mais uma rodada de sidra.

Os sáurios comiam descontraídos, conversando em seu próprio idioma. Nem parecia que levavam prisioneiros. Os humanos apenas matavam a fome, que naquele momento era enorme. De nada tinham a reclamar, a carne era boa e o pão era fresco.

Terminada a refeição, os sáurios se preparam para dormir, revezando entre si. Dois sempre ficavam acordados, de vigia. Os humanos não podiam fazer muita coisa além de descansar também.

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