Capítulo 1 – A Caminho do Paraíso (Parte 1)


“No caminho até a tal capital sáuria será a nossa única chance de escapar” — pensa Meltse, assim que a comitiva de sáurios e humanos sai da caverna em Hochberg. Zepelli discorda totalmente: “Se preparados e armados não conseguimos ganhar de quatro deles, imagine agora contra dez! E nós desarmados!”

— Só seremos libertados quando eles quiserem. — murmura Martha — Acho que é o que vai acontecer por fim. Afinal eles foram até gentis conosco se vocês pararem para pensar…

Ninguém gostou da colocação de Martha, embora ela tivesse razão: foram alimentados, receberam tratamento, ouviram alguns pedidos de desculpas…

A maioria, no entanto, queria fugir o mais rápido possível. Apenas Martha e Zepelli eram contra o plano, por motivos distintos. Zepelli por achar ser perda de energia e tempo. Martha por estar começando a se apegar aos sáurios, queria conhecê-los melhor. Meltse também tinha muita curiosidade, mas não queria admitir. Ralph e Colodi também estavam interessados, apesar do medo, mas nada diziam porque a maioria queria fugir.

No fim das contas, apenas Rachel e Marco estavam realmente desconfortáveis ali.

Os sáurios pareciam felizes e animados com a viagem. Pouco importava para eles os humanos. Estavam ansiosos para voltar para a capital.

— Lamark! Eu te amo por isso, sabia?! — exclama Zach. Henkel pigarreia:

— Isso são modos, Zach?

— Desculpe-me. Eu me empolguei.

— Sem problemas — fala Lamark — Afinal eu não sou mais importante aqui do que qualquer um de vocês. — Henkel balança negativamente a cabeça. Não concorda, mas nada falaria.

— Quando partimos, Lamark? — interrompe um sáurio, de voz feminina, chamada Edra Grischarr.

— Agora mesmo! — responde a todos, que aguardavam ansiosos. — Não seguiremos em linha reta pela estrada. É pouco provável encontrarmos com alguém tão longe das cidades humanas mas não quero arriscar. Seguiremos por trilhas o máximo que pudermos.

Todos suspiram aliviados. Nenhum dos sáurios gostava da ideia de usar estradas humanas. Também não sabiam porque tinha uma que ia direto para a capital. Desde muito tempo ela existia e ninguém mais sabia sua função. E assim finalmente parte, sob a liderança de Lamark.

E este era o mais feliz entre todos os sáurios: estava cercado de pessoas que acreditavam nele e o aceitavam e finalmente iria voltar para casa. Bem, com exceção de Tork, inimigo declarado e nem um pouco feliz.

Como tinham decidido seguir por trilhas pela floresta ao invés de pegar a estrada, esta mais confortável para todos mas perigosa para os sáurios, os humanos estavam numa situação difícil. Iriam chacoalhando por boa parte da viagem.

A comitiva segue lenta, com quatro sáurios a frente, a carroça no meio com um a guiando e outros quatro atrás. Lamark ficaria constantemente alternando entre a linha de frente e a retaguarda. Esta era uma formação que serviria tanto para evitar a fuga dos humanos quanto para a própria segurança de todos.

Lamark aproveitava seu revezamento tanto para conversar com todos quanto para vigiar os humanos. Embora não tivesse como eles abrirem a gaiola utilizando força bruta. Ele cuidou pessoalmente disso. Por este motivo os sáurios estavam relaxados, conversando e rindo.

Os humanos, por outro lado, não estavam nem um pouco felizes. O sacolejar da carroça era muito desconfortável, jogando todos de um lado e do outro. Mesmo não estando amarrados, era extremamente estressante e desconfortável.

Pior era para Ralph, Colodi e Marco, que ainda não tinham  curado totalmente do ferimento de flecha. Percebendo isso, um dos sáurios se aproxima da carroça:

— Ora, ora! — fala, com voz feminina e jovial, no idioma comum — Deviam ter me dito que tínhamos feridos! Que descuido, que descuido! PARA TUDO!!!

Todos os sáurios param, sem entender o que estava acontecendo:

— Que houve, Lara? — pergunta Lamark.

— Nada, nada! Só preciso de uns cinco minutos! Venha comigo, Shaha! — responde Lara, a jovem xamã que havia se aproximado da carroça, chamando outro sáurio para ajudá-la.

Então, do nada, ela coloca seus braços dentro da carroça e puxa Colodi pelo braço. Assustado, ele tenta se livrar da sáuria, sem sucesso. Ela tinha muito mais força.

— Agora vejamos como está isto aqui. — murmura, enquanto tira cuidadosamente as bandagens do garoto com uma mão só, já que a outro ainda segurava firmemente Colodi, assustado.

— Ara, ara! Não parece nem um pouco ruim… Está quase sarado. Não vai dar trabalho nenhum, Shaha. Shaha? — procura ao redor — Pelos Deuses! Por que não está aqui ainda?

Shaha apenas balança negativamente a cabeça: era mudo.

— Eu não aceito um não como resposta! Já não basta eles estarem sacolejando pra lá e pra cá?! Tenha um pouco de empatia!

Os humanos estavam muito confusos com aquilo tudo. Tinha um sáurio preocupado com o conforto deles? Também tinha uma voz feminina… Embora não parecesse muito diferente dos outros. E falava o tempo todo no idioma comum do Reino. Era estranho, mas também gratificante.

Shaha decide atender ao chamado de Lara, resignado. Achava aquilo tudo desnecessário. Não estavam todos bem e com saúde?

— O que vocês vão fazer com a gente? — murmura Rachel, hostil.

— Oh, oh! Nada ruim eu garanto. Não precisa ser assim conosco. Só espere. É algo bem interessante.

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