Capítulo 1 – O Covil dos Sáurios (Parte 1)


Meltse se sentia abatido. Havia falhado em defender tanto Hochberg quanto seus companheiros, conhecidos e vizinhos. Deixou a vila ser pilhada e queimada… Não fazia a menor ideia de como iria encarar a todos. Ou o que seu pai iria pensar dele…

Fica imaginando as piores reações possíveis. Via os moradores voltando do refúgio para se deparar com… nada. Todos o odiariam por ter sido um péssimo defensor. Então, chegariam os caçadores, juntamente com seu pai, abatidos e desejosos de uma cama quente e macia. E o que encontrariam? Nada. Nem teto por cima de suas cabeças.

Na melhor das hipóteses, levaria um belo sermão do seu pai. E perderia seu posto de defensor da vila… Na pior… Já se imaginava sendo expulso e se tornando um rufião para sobreviver!

Dentre todos os acontecimentos ruins, pelo menos, por algum motivo que não conseguia compreender, os sáurios deixaram boa parte dos despojos na vila, levando apenas a comida. Sequer feriram gravemente ou mataram alguém. Não fazia o menor sentido.

Agora estava amarrado, junto aos outros, levados prisioneiros para sabe-se lá onde. Meltse passou um bom tempo sem prestar a atenção no caminho, se lamentando. Apesar disso tinha noção de onde estão no momento: do outro lado da montanha Hochberg.

Todos estavam silenciosos e cabisbaixos. Pensavam mais ou menos o mesmo que Meltse. Haviam prometido defender a vila dos saqueadores e falharam horrivelmente. A única esperança vinha do fato de ainda estarem vivos. Poderiam voltar e reconstruir tudo, quem sabe.

Depois de uma boa caminhada, o exército sáurio para. Estão de frente para a entrada de uma caverna. Lentamente se organizam em duas fileiras e começam a entrar na montanha. “Não pode ser! Essas criaturas vivem tão próximas assim da vila?!” — pensa Meltse.

O restante dos humanos estava tão temeroso e apreensivo quanto o jovem ferreiro. Havia uma preocupação especial com o ferimento no braço dos três arqueiros, Ralph, Colodi e Marco. Não era algo grave, mas sem tratamento até mesmo um arranhão pode matar.

Mas não havia tempo para preocupações. O exército marcha caverna adentro, forçando os humanos a caminhar novamente. Estavam tão cansados e abatidos que todo o esforço mental se dedicava apenas a colocar um pé a frente do outro, numa marcha angustiante.

Ao adentrarem mais na montanha, o caminho fica mais e mais escuro. Quando Meltse e os outros já não conseguiam mais enxergar um palmo em frente, surgem luzes fracas anexadas às paredes da caverna. De inicio acharam que fossem tochas, mas na verdade eram estranhas pedras redondas e brilhantes. Não fornecia muita luz, mas era o suficiente para enxergarem o chão e alguns metros de a frente.

Meltse consegue então se acalmar um pouco e tenta raciocinar. Eles tinham que fugir dali! Só não sabia exatamente como… Entretanto ali, na penumbra, cercados de monstros por todos os lados seria impossível. “E se eles não fossem prisioneiros, e sim o prato principal?” O pensamento o assusta, preferia morrer em batalha.

Passados mais alguns minutos de caminhada desde que viram as primeiras luzes, a caverna começa a se alargar, culminando numa galeria. Era bem ampla, com teto alto e claros sinais de construção: suas paredes eram lisas e aprumadas demais para serem totalmente naturais.

Ao chegarem nesta galeria, Meltse e os outros começam a perceber a movimentação de outros sáurios. Curiosos apareciam para ver o que se passava, enquanto outros apenas caminhavam sem dar grande importância ao exercito. “Será que havia um enxame inteiro deles nas entranhas da montanha?”

É então que um grupo de sáurios pequenos se aproxima do exército. Parecem felizes e animados: como crianças na chegada de uma caravana.

Definitivamente muito do que os humanos sabiam sobre os sáurios era falso. Não eram assim tão selvagens já que o saque foi muito bem planejado. Eram um tanto violentos, nisto os boatos acertaram, pois queimaram Hochberg sem nenhuma necessidade. Mas qual saqueador não o é? No entanto, não mataram ninguém. Também eram suficientemente civilizados para terem um assentamento, mesmo que rústico, dentro das montanhas.

Eles tinham crianças também, muito parecidas com as humanas no comportamento. Ou pelo menos achava que aqueles sáurios diminutos eram crianças…

Os devaneios de Meltse são interrompidos quando percebe a parada exército, que começa a descarregar a carroça, despreocupados. Aquilo era outra coisa que não conseguia entender: eles juntaram três carroças abarrotadas, mas levaram apenas uma, a de comida. Por quê se deram ao trabalho de pegar tudo para simplesmente não levar? Não conseguia encontrar uma resposta.

Enquanto os sáurios estão ocupados, Meltse tenta novamente arquitetar seu de fuga. Observa ao redor: fora o exército, aquela vila subterrânea tinha mais ou menos o mesmo tamanho de Hochberg; apesar das luzes, era difícil enxergar; e estavam amarrados. Não era ainda um bom momento para fugas. Ele comenta baixinho com os outros, que concordam sem discussão.

Um dos cavaleiros sáurios desmonta e vai ao encontro de outro sáurio mais longe. Este é enorme e usava uma armadura pesada. Meltse raciocina que aquele poderia muito bem ser o líder aquele lugar. Todos ficam se perguntando: Qual será o nosso destino?

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2 comentários sobre “Capítulo 1 – O Covil dos Sáurios (Parte 1)

  1. Aguardei ansioso a semana inteira pelo post e em nada me decepcionei. Por favor, por favor, mantenha Meltse tão humano quanto possível, é uma das características que mais gosto nele, de ser, por enquanto, nada de extraordinário!

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